Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 16/08/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o abandono de idosos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do aumento da espectativa de vida quanto do crescente número de delitos relacionado ao cuidado dos idosos. Diante disso, torna-se indispensável a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Nesse contexto, é fulcral pontuar que o problema deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Certamente, devido a falta de ação das autoridades, o país vem enfrentando dificuldades para lidar com o aumento da expectativa de vida. De acordo com um estudo do Ministério do Desenvolvimento Social, os albergues públicos encontram-se lotados e há um constante crescimento da demanda por vagas entre pessoas com mais de 60 anos. Desse modo, faz-se mister uma reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar os crimes cometidos contra idosos como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, nota-se que, com o aumento do número de idosos, houve um aumento dos casos de abandono. Segundo o site O Tempo, uma grande parcela da população nega o acolhimento ou a permanência de pessoas com mais de 60 anos de idade como abrigados, sem excessão de seus próprios familiares. Estes, por já não possuírem as mesmas condições físicas ou mentais de antes, são submetidas a condições desumanas ou degradantes, não tendo suas necessidades básicas satisfeitas, muitas vezes tendo seus bens e benefícios desviados e utilizados em prol de seus familiares ou responsáveis. Tudo isso retarda a resolução do empecílho, já que esses delitos contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas são necessárias para conter o impasse. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Tribunal de Contas da União diecione capital que, por intermédio do Ministério da Família, será revertido na criação de um órgão público que atue em defesa de idosos que não recebem o devido tratamento onde residem, assemelhando-se ao Conselho Tutelar, por meio da construção de mais estabelecimentos, os quais acolham idosos em situação de abandono. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos do problema, e a coletividade alcançará a Utopia.