Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/01/2021

A indústria farmacêutica, desenvolvida no período após a Segunda Guerra Mundial, possibilitou o aumento da expectativa de vida humana, a partir da criação de medicamentos e da descoberta de tratamentos para diversas enfermidades. Nesse sentido, o grande número de idosos na sociedade contemporânea evidencia, de forma alarmante, o problema do abandono dos mais velhos. Nesse sentido, a escassa quantidade de abrigos e a perpetuação de perspectivas preconceituosas contra essas pessoas são fatores que precisam ser combatidos.

Sob esse viés, a existência de poucos centros de acolhimento do idoso pode piorar o quadro atual de abandono. Isso significa que boa parte das pessoas de idade avançada não encontra locais nos quais possam receber amparo e cuidado em caso de doença ou incapacidade. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, órgão criado em 1945, muitos países - especialmente os subdesenvolvidos - não possuem número suficiente de albergues que recebam essas pessoas. Logo, é inadmissível que ainda exista tamanho descaso com essa parcela da população, uma vez que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento promulgado em 1948, prevê a todo cidadão o direito ao bem-estar e à assistência social, fato que impõe a necessidade de implentar medidas que minimizem essa problemática.

Ademais, a manutenção de visões equivocadas sobre a velhice perpetua o lamentável cenário de desamparo enfrentado por essa faixa etária. Nesse contexto, expressiva parcela da sociedade cristalizou conceitos incorretos que colocam os mais velhos em posição de fragilidade e inutilidade. Segundo o orador romano Marco Túlio Cícero, no livro intitulado “A Arte de Envelhecer”, é errônea a concepção de que idosos não possuem importância no contexto social em que vivem, posto que guardam experiências e podem encaixar-se, por exemplo, em trabalhos intelectuais. Desse modo, é necessário restaurar as verdadeiras capacidades do idoso e questionar as visões utilitaristas que contribuem para o descaso e para a exclusão desse grupo.

Portanto, é fundamental encontrar soluções para minimizar o problema do abandono senil. Organizações não Governamentais, que funcionam baseadas na cooperação da sociedade civil, devem, por meio da realização de passeatas, pressionar as autoridades competentes para a construção de mais casas de apoio e para a veiculação de campanhas que combatam o preconceito contra os idosos, a fim de minimizar os casos de abandono. Dessa forma, os direitos contidos na Declaração Universal serão respeitados e a terceira idade poderá, de forma plena, beneficiar-se da longevidade possibilitada pela indústria farmacêutica.