Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 03/06/2021

``Os animais são seres naturais, os humanos, culturais’’. A afirmação da historiadora brasileira Marilena Chauí corrobora a ideia de que os sujeitos são reflexos inegáveis do seu ambiente e que a cultura direciona a conduta e as escolhas de cada um. Nesse sentido, essa análise pode ser aplicada ao abandono de idosos na contemporaneidade, já que é justamente a culturalização dessa problemática que consolida a habitualidade dessa situação degradante. Sendo assim, o planejamento financeiro e as relações familiares são entraves a serem debatidos e mitigados para instaurar o bem-estar social.

Em primeiro lugar, é importante analisar de que forma a falta de planejamento financeiro corrobora para a consolidação dessa problemática. Segundo o economista brasileiro Thiago Nigro, em seu livro ‘‘O Primo Rico’’, a melhor forma de garantir o amaparo e uma boa qualidade de vida na terceira idade é por meio de um plano ecômico visando a futura estabilidade financeira. Em contrapartida, quando um indivíduo chega aos seus 60 anos sem um planejamento, a sua condição de força de trabalho é reduzida por motivos fisiológicos. Nesse viés, o idoso começa a ser excluído da população economicamente ativa, consequentemente, sem uma estrutura financeira moldada, essa pessoa não possui condições de bancar um asilo privado ou um profissional para o seu cuidado. Dessa forma, isso gera o abandono dessa parcela social, por isso, medidas são necessárias para mitigar esse entrave.

Em segundo lugar, cabe ressaltar que a fragilidade dos laços familiares é uma das principais causas dessa categoria de desamparo. Isso porque, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu teoria da modernidade líquida, as relações econômicas estão sobrepostas às relações sociais. Seguindo essa lógica, o pensamento de Bauman explica o abandono dos idosos pelos seus familiares, uma vez que a necessidade de acumulação de capital e ascensão na carreira profissional coloca essa relação em segundo plano. Desse modo, muitos idosos são desamparados e esquecidos pela sua familía, o que agrava essa problemática na sociedade brasileira.

Portanto, infere-se que assegurar a educação econômica e o fortalecimento de laços familiares são medidas para mitigar o abandono de idosos, por isso, cabe ao Estado efetivá-las. Sendo assim, cabe ao Governo Federal criar uma política de educação financeira para o planejamento econômico social, por meio de cursos gratuitos e acessíveis a toda população, com o intuito de atenuar a longo prazo essa categoria de abandono. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde criar uma campanha de conscientização sobre o amparo aos idosos, por meio de anúncios midiáticos, com a finalidade de sensibilizar os familiares e fortalecer os laços familiares para atenuar essa fragilização. Por fim, tais ações irão mitigar essa problemática em escala nacional.