Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 15/01/2021
A escritora Simone de Beauvoir disserta em sua obra “A Velhice” sobre a ampliação da longevidade populacional, refletindo acerca da estigmatização dos idosos nas sociedades capitalistas e do distanciamento entre as gerações. Análogo a isso, na conjuntura brasileira, apesar de caracterizar um progresso no desenvolvimento nacional, o aumento da expectativa de vida está intrinsecamente associado a problemáticas futuras relacionadas à inclusão social e ao sistema de saúde. Nessa perspectiva, esse panorama desafia tanto o poder público como a sociedade em geral, a garantir o envelhecimento com qualidade de vida no país.
A priori, convém ressaltar que há um paradigma sociocultural deturpado responsável por inferiorizar os idosos. Nesse viés, o filósofo Jeremy Bentham defende que as ações sociais devem ser pautadas no caráter pluralista, visando o benefício do maior número possível de cidadãos. Contudo, esse pressuposto não é efetivado no Brasil pois muitos indivíduos desse recorte etário são considerados como fonte de problemas para as famílias ou caracterizados como uma força de trabalho improdutiva. Dessa forma, tal cenário explicita uma mentalidade preconceituosa quanto o papel social da “melhor idade”, pouco combatida pelas instituições formadoras de opinião, o que lhes segrega no convívio coletivo.
Ademais, o filósofo grego Platão disse que o importante não é só viver, mas viver bem. Diante disso, uma população envelhecida é mais propícia a enfermidades, o que induz à sobrecarga de estruturas hospitalares e maior demanda na disponibilização de medicamentos e produtos higiênicos. Entretanto, o Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado gratuitamente no país, não atende às necessidades dos idosos, uma vez que, a população em geral sofre com filas enormes, demora no agendamento de consultas e na entrega de exames, além da constante falta de médicos nos postos, resultando numa expectativa de vida inversamente proporcional à qualidade de vida.
Portanto, são necessárias medidas que contornem as problemáticas geradas pelo envelhecimento populacional. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação, por meio do alto poder de persuasão da mídia, desenvolver projetos integradores com a sociedade mais jovem, para discutir e introduzir o idoso socialmente, a fim de combater a intolerância concernente a esse grupo. Além disso, compete ao Ministério da Saúde, criar planos de atendimento domiciliar, disponibilizando maiores verbas aos hospitais e clínicas públicas, para gerar maior conforto e acessibilidade à população mais velha. Dessa maneira, será possível desconstruir estereótipos retratados por Simone de Beauvoir desde o século XX, visando maior harmonia social.