Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 16/01/2021

O Artigo 230 da Constituição Federal de 1988 declara que é dever do Estado, da família e da sociedade amparar pessoas idosas, defender sua dignidade, bem-estar, participação na comunidade e vida. No Brasil, entretanto, o alto índice de abandono físico e afetivo dessa população impede a garantia desses direitos na prática. Nesse sentido, cabe análise do papel execrável de muitas famílias e as consequências desse cenário.

Entre atores sociais envolvidos na questão, é possível destacar os parentes como um dos grandes promotores desse desamparo. Apesar de o Estatuto do Idoso prever pena de até 16 anos de prisão a quem pratica o abandono afetivo ou financeiro contra tais indivíduos, esse crime representa metade das denúncias do “disque 100” relacionadas a esse grupo social,  de acordo com o “site” da Câmara dos Deputados. É, pois, contraditório que a família - primeira instituição responsável pela qualidade de vida de seus membros - represente uma de suas maiores ameaças.

Além disso, o abandono afetivo inverso prejudica a saúde mental e física dos idosos. Sob tal ótica, o documentário “Abandono Aos Idosos: Uma Realidade Despercebida”, mostra triste depoimento de um senhor que relata a ansiedade e a angústia da espera dos parentes, que raramente aparecem. No curta-metragem, ainda, é mostrado que essa situação causa depressão que, por conseguinte, prejudica a alimentação, estrutura física, imunológica; facilitando o risco de quedas, infecções e até o suicídio. Revela-se, portanto, como devastor esse descuido familiar criminoso que afronta diretamente a lei maior e atenta contra a vida desses cidadãos.

Em suma, a fim de garantir as prescrições constitucionais, bem-estar, qualidade de vida e o efetivo amparo da terceira-idade, o governo federal  deve intervir nas áreas criminal e educacional. Isso pode ser feito através de leis que aumentem a fiscalização e a aplicação de leis previstas no Estatuto do Idoso, bem como a ampla divulgação desses crimes em veículos de comunicação de massa como: TV e Rádio. Isso tornará a realidade do abandono cada vez mais percebida em nossa sociedade.