Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 16/01/2021
A natureza mostra que animais sociais, como os lêmures, abandonam os indivíduos mais velhos para que consigam prosseguir sem serem interrompidos. De forma análoga, ao que acontece na sociedade contemporânea, não é incomum observar atitudes de desprezo e desamparo pela população senil, o que expõe atitudes semelhantes às do reino animal. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para a demografia idosa, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas à ineficiência familiar e à inércia estatal.
Mormente, a parcimônia parental configura-se como o principal fator no que tange a essa problemática. Nesse sentido, dados revelados em uma pesquisa, de 2015, feita pelo CPS (Centro de Pesquisas Sociais) apontam que cerca de 76% dos idosos em asilos foram negligenciados pela família. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Vida Para Consumo”, que, na sociedade capitalista, o consumidor também é uma mercadoria. Dessa forma, pode-se dizer que isso acontece porque a terceira idade é vista erroneamente como o limite do ser humano, haja vista que ocorre a perda da capacidade corporal, o que cria um estigma e vários pré-conceitos. Infelizmente, enquanto a instituição familiar continuar a descartar o idoso, estes continuar-se-ão isolados e desamparados.
Outrossim, a inércia do Poder Público também é outro fator que favorece esse problema. Nesse ínterim, é valido citar o filósofo contratualista John Locke, o qual diz que o corpo social e o Estado firmaram um pacto. Enquanto o povo cumpre uma série de responsabildades, como o pagamento de impostos, a instituição governamental fornece proteção e outros benefícios. Todavia, vê-se que esse pacto não é respeitado no que toca à demografia idosa, visto que eles são desamparados pelo governo. Prova disso são os dados do IBGE, de 2018, os quais apontam que cerca de 64% da população senil não consegue viver com dignidade com o dinheiro da aposentadoria. Destarte, conclui-se que o Estado também é responsável pelo abandono desses cidadãos.
Urge, portanto, uma solução para esse problema. Para isso, é necessário que o Ministério Público Federal (MPF), aliado ao Poder Judiciário, entre com um projeto de lei de valorização à pessoa idosa, instituindo um auxílio com valor 40% maior do que o salário mínimo vigente e também com multas de até 2 salários mínimos àqueles que maltratarem indivíduos senis. Esse projeto poderá ser executado por meio do financiamento da Secretaria do Tesouro Nacional, instituição a qual deverá arcar com todos os custos do projeto e divulgar na mídia esse novo direito. Assim, espera-se que, com essa ação, a demografia idosa consiga viver com tranquilidade e acolhimento pela família e pelo Estado.