Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 16/01/2021

“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da população frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o abandono de idosos que, hodiernamente, tem tornado a vida de várias pessoas mais difícil. Esse é um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligencia estatal, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Inegavelmente, poucas são as políticas públicas que evitam que idosos sejam abandonados por seus parentes próximos. Nesse prisma, de acordo com o filósofo Jhon Locke, ocorre uma quebra do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de garantir o direito a Vida digna para essa parcela da população. Decerto, isso se demonstra na pesquisa publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que diz que a população idosa que vive em asilos ultrapassa o numero de 100 mil pessoa. Esse número demonstra que as ações do Estado ainda são insuficientes para mitigar o problema.

Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que muitas vezes, não entende os malefícios de se precaver financeiramente para que na velhice não dependa dos cuidados de outras pessoas. Isso está de acordo com o pensamento do filósofo A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de um indivíduo determinam seu entendimento a respeito do mundo que o cerca. Tal fato pode ser observado nos números apresentados na pesquisa do Banco Mundial que aponta que apenas 11% dos brasileiros pensam em economizar para a velhice. A falta de informação faz com que as pessoas não se previnam financeiramente, impulsionando um ciclo vicioso de abandono o que pode gerar um prejuízo social incalculável.

Diante desse cenário, é mister que o Senado Federal promova o direito a vida digna para a população idosa do Brasil, por meio da criação de uma lei que obrigue o Estado a auxiliar as famílias que não tem condições de cuidar plenamente dos idosos, a fim de diminuir o numero de pessoas abandonadas, sendo isso necessário para melhorar a qualidade de vida da terceira idade no país. Além disso, palestras devem ser realizadas a fim de instruir a população sobre a importância da economia para a aposentadoria, para que, gradativamente, esse imbróglio deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.