Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 16/01/2021

O sistema capitalista, vigente no mundo todo, configura-se tanto no viés produtivo, sempre objetivando lucrar, quanto no viés cultural, disseminando formas de pensamento que, de certa forma, legitimam sua lógica de produção material e, portanto, de consumo. É por essa razão, aliás, que idosos são abandonados, uma vez que esse sistema coloca o lucro e o objetivo de ser útil acima da vida, o que, por sua vez, torna o ofício de cuidar de pessoas envelhecidas algo caro, bem como o torna algo evitado.     A princípio, vale mencionar que a indústria farmacêutica segue uma lógica capitalista de mercado, quando, por exemplo, lucra com as enfermidades das pessoas, induzindo-as a consumirem medicamentos de maneira indiscriminada, o que gera, pois, outros problemas de saúde a serem, assim, reparados por mais drogas. Desse modo, o custo de vida para idosos se acentua, afetando, sobretudo, a população mais pobre, cuja dimensão numérica abrange cerca de 3 bilhões de indivíduos, de acordo com uma declaração da ONU de 2018. Em último caso, posto isso, acarreta-se o abandono dos mais velhos, haja vista o alto custo para cuidar de sua saúde no contexto capitalista.

Além do mais, em consonância com a corrente político-econômica marxista - que, em suma, faz críticas ao capitalismo -, o sujeito é, primeiro, transformado em objeto, do qual se espera utilidade e lucro, para que, depois, seja considerado sujeito e digno de consumo. Nessa lógica, torna-se evidente que, por razão do ideal de ser útil ser mais valorizado do que as próprias pessoas, a tarefa de cuidado para com os idosos se torna evitada, visto que, devido à inatividade desses indivíduos, suas vidas já não possuem rentabilidade.

Nesse sentido, espera-se que a Organização Mundial da Saúde - responsável por amparar práticas favoráveis à saúde universal - orquestre um sistema público de distribuição de medicamentos aos mais velhos, por meio de uma reunião internacional com o máximo de países possíveis, assim como se espera que ela, em parceria com programas educativos dos países membros da supracitada reunião, desconstrua o ideal de funcionalidade em meio social que fomenta o impasse em discussão. Com efeito, a partir dessas medidas, acentuar-se-á as mazelas do sistema capitalista que configuram o abandono dos idosos na contemporaneidade.