Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 16/01/2021

Segundo o grande filósofo grego Aristóteles ‘‘A velhice não deve ser entendida como doença, pois não é algo contrário à natureza’’. Todavia, com o acelerado envelhecimento da população brasileira e mundial, o abandono indevido de idosos torna-se cotidiano no cenário nacional. Nesse contexto, evidenciam-se como causadores dos cruéis casos de abandono de longevos brasileiros a negligência familiar e a descaracterização da função social do idoso.

A princípio, é imperativo debater a função e a responsabilidade das famílias dos idosos no processo de abandono. Nesse viés, o Estatuto do Idoso, amparado no artigo 230 da Constituição Federal de 1988, garante que é dever da família amparar os cidadãos com mais de sessenta anos. Contudo essa lei está sendo totalmente deturpada por alguns núcleos familiares, haja vista que, com o despreparo financeiro para a terceira idade - âncorado numa insuficiente aposentadoria da Previdência Social- e o desinteresse afetivo, muitos idosos acabam sendo abandonados pelos próprios filhos e netos. Dessa forma, é de extrema necessidade que os grupos familiares se organizem a fim de assegurar o bem-estar de seus parentes longevos e reduzir os casos insensíveis de abandono e de descuído.

Ademais, a visão social acerca do idoso, caracterizando-o como inativo e inútil, é indubitavelmente prejudicial ao convívio harmonioso de diferentes gerações. Neste ínterim, a animação da pixar, ‘‘Up! Altas Aventuras’’, contraria os estereótipos criados a partir da imagem do provecto, uma vez que o protagonista Carl enfrenta uma grande aventura em busca da realização de seus sonhos, demonstrando capacidade e atividade. Fora das telas, no contexto nacional, apesar do aumento da expectativa de vida populacional brasileira, a qualidade vital da terceira idade é desproporcional, devido ao descaso com a imagem do idoso. Logo, a deturpação da função social dos indivíduos mais maduros deve ser revertida, valorizando a individualidade e diminuindo o preconceito.

Sendo assim, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos informar à população brasileira acerca do cuidado com os idosos, por meio de campanhas educacionais, nas quais os assuntos seriam o preparo familiar e as atividades realizadas por longevos, a fim de reduzir os casos de abandono e de ageísmo no país. Assim, a valorização das maiores faixas etárias, como abordado por Aristóteles, poderá ser realizada gradativamente no Brasil, a partir da união das famílias com autoridades gerontólogas, evitando o nefasto abandono.