Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 16/01/2021

Há até pouco tempo, a pirâmide etária brasileira era caracterizada por poucas pessoas velhas e muitas jovens. Contudo, a situação não é mais a mesma, pois o número de idosos vêm crescendo rapidamente, de maneira similar ao que ocorreu na Europa. Acompanhado a esse fato, evidencia-se o problema de abandono de pessoas da terceira idade. Dentre tantas razões que ocasionam isso, duas se destacam: a grande desigualdade social brasileira e o acentuado crescimento demográfico desse segmento da sociedade.

Em primeiro lugar, é preciso destacar que o Brasil é uma nação extremamente desigual. Devido a isso, enquanto seletos indivíduos conseguem ter poupança para quando envelhecerem, muitos outros, que são a vasta maioria, não possuem esse privilégio. Consequentemente, essas pessoas mais pobres, ao chegarem a uma idade avançada, não possuem condição financeira suficiente para arcar com os custos dessa fase da vida, o que inclui a compra de medicamentos, os quais muitas vezes são caros. Dessa forma, eles são vistos como um ‘‘fardo’’, o que favorece o abandono deles. De modo a corroborar com o que foi dito, o Banco Mundial publicou que apenas 11% dos brasileiros possuem poupança para quando envelhecerem. Tudo isso mostra que a questão econômica é um ponto vital no que concerne ao abandono de pessoas de terceira idade, fato que deve ser analisado pelo poder público.

Porém, não apenas o aspecto financeiro deve ser observado, mas também o aumento populacional desse segmento da sociedade, que, segundo o IBGE, quase dobrou nos últimos 20 anos. Como efeito lógico disso, o número de indivíduos mais velhos abandonados também cresceu. Entretanto, essa mudança demográfica apenas acarretou o crescimento desse problema porque o Estado não se preparou o suficiente para a ocorrência dela. Isso deveria ter sido feito mediante medidas efetivas no que se refere à proteção econômica e à proteção dos direitos dos idosos. Apesar de existirem leis que abordem isso, elas não são o suficiente, afinal, se fossem, a problemática não seria tão significativa.

Diante do exposto, nota-se que as pessoas da terceira idade necessitam de amparo governamental. Dessa forma, o Estado, junto ao Ministério da Economia e da Justiça, deve atuar em duas frentes. A primeira diz respeito à criação de novos benefícios sociais, os quais garantirão aos de idade avançada uma melhor condição financeira, por meio de financiamento da União. A segunda aplicará, por meio de leis aprovadas no congresso, maiores penas quanto ao crime de abandono dessas pessoas. Essas ações serão executadas a fim de evitar o fenômeno de abandono de idosos e fornecer a eles a qualidade de vida que merecem.