Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 18/01/2021

O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Em sua obra “O alienista”, Machado de Assis retrata a visão arcaica da população do século passado perante as doenças mentais. Entretanto, fora da ficção, o Brasil contemporâneo também sofre com os estigmas associados a tais patologias. Dessa forma, faz-se fundamental compreender essa temática, que tem como fatores primordiais o ideal de felicidade frequentemente veiculado nas redes sociais e a falta de conscientização acerca da seriedade do problema.

Em primeira análise, a concepção utópica de um modelo de vida perfeito contribui para esse preconceito. Isso se deve ao fenômeno diagnosticado pelo filósofo Guy Debord como “sociedade do espetáculo”, no qual a aparência se destaca dentre os critérios de aceitação coletiva do indivíduo. Nesse sentido, haja vista que desordens psicológicas ainda são um tabu, as pessoas que as enfrentam são dissuadidas a não as expôr, vide medo de serem excluídas por divergirem das condições ditas “ideais”. Destarte, enquanto tais enfermidades não forem reconhecidas como uma mazela capaz de atingir qualquer um, essa repressão velada agravará a penúria de quem é afligido por aquelas.       Outrossim, o desconhecimento da causa também retarda a dissolução dos esteriótipos. Um exemplo disso é como o povo não reagiu aos abusos cometidos na Casa Verde (do livro machadiano), pois acreditavam no suposto exercício da ciência de Simão Bacamarte. Contudo, hodiernamente, a voz predominante não é a do saber técnico, mas sim a dos discursos falaciosos mais facilmente disseminados. Por conseguinte, é imperativo que tamanha ignorância seja substituída pela conscientização sobre a verdadeira natureza dessas doenças e como elas devem ser respeitadas.       Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação incrementar tal conhecimento no arcabouço do cidadão brasileiro. Isso será concretizado por meio da implementação do debate a respeito dos acometimentos mentais no currículo escolar básico, bem como por campanhas de esclarecimento nas grandes mídias (televisiva e virtual), a fim de desmistificar o tema e coibir estigmas. Somente assim, garantir-se-á que o cenário distópico de “O alienista” esteja longe da realidade nacional.