Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 19/01/2021

Nos ultimos anos, o aumento da expectativa de vida vem se tornando a regra no mundo inteiro, inclusive no Brasil, aumentando o número de idosos em todas as partes do globo. Com o crescimento desta parcela da população, novos problemas e desafios vêm surgindo, sendo um deles a intensificação do fenômeno de abandono, tanto afetivo quanto econômico, de pessoas idosas. Este problema tem em suas raízes o aumento do custo de vida e a supervalorização da produtividade na sociedade.

O aumento do custo de vida levou diversos jovens e adultos a um distânciamento para com os idosos de suas famílias. Isso porque esse aumento do custo de vida levou a população jovem e adulta a ter a necessidade de se focar mais no trabalho, em detrimento do foco na família. Essa parcela da população passa mais tempo em seus trabalhos do que em suas casas, o que influencia negativamente nas relações afetivas com seus familiares. Nessa danificação afetiva do núcleo familiar, os idosos são extremamente afetados, e acabam, por muitas vezes, se tornando vitimas de abandono.

O capitalismo, juntamente com a ética protestante, acabam por influenciar negativamente na visão que a sociedade tem do idoso. Nos dias hoje, há uma supervalorização do ato de trabalhar e de ser produtivo, um efeito do capitalismo e uma herança da ética protestante. Dessa forma, pessoas que não possuem condições físicas ou mentais para exercer atividades econômicas acabam por não serem valorizadas da mesma forma que adultos sádios que trabalham 12 horas por dia. Os idosos, nesse contexto, acabam sendo desvalorizados pela sociedade, já que, muitas vezes, não possuem forças para realizar atividades produtivas. Essa desvalorização influencia no abandono dessa população, já que passam a ser vistos como um fardo a ser carregado.

Dessa forma, é evidente que o abandono de idosos é causado pelo aumento do custo de vida e pela cultura de valorização do trabalho e da produtividade. Para superar esse problema, o Brasil precisa aplicar as leis de defesa do idoso de forma mais efetiva. Torna-se, então, necessário a criação de um órgão público específico para fiscalização da situação dos idosos. A fiscalização poderia ocorrer por meio de profissionais treinados na área, com o conhecimento das leis pertinentes, que visitariam de forma aleatória asilos e albergues, e iriam reconhecer os idosos que estiverem em situação de risco. Ao reconhecer um idoso em situação de risco, o órgão entraria em contato com a família e iria adverti-la. Caso a situação continuasse, o órgão acionaria o ministério público para mover uma ação contra a família. Por consequência, uma sociedade mais humana e mais amistosa com os idosos seria criada, contribuindo para a manutenção de seu bem-estar.