Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 18/04/2021
A Constituição federal de 1988 garante a todos os cidadãos brasileiros o direito à segurança e ao bem-estar social. Entretanto, considerando a questão do abandono de idosos na contemporaneidade, percebe-se que a premissa exposta está em descompasso com a realidade. Dessa forma, tal empecilho advém de fatores como a ineficiência do Estado, além da irresponsabilidade familiar, logo, são imprescindíveis mudanças capazes de reverter esse cenário.
Conforme supracitado, é fulcral pontuar que as falhas dos poderes públicos são fatores que impulsionam tal problemática. Sob esse viés, Aristóteles, filósofo grego, disse que a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Com isso, nota-se que a falta de informações amplamente divulgadas que reforcem a necessidade dos cuidados prolongados na velhice rompe com esse dito, visto que o Estado não cumpre seu papel de maneira eficaz, devido a isso, fica evidente as lacunas existentes nas políticas públicas, como a falta de instituições seguras para o atendimento daqueles que precisam. Diante disso, é inegável que as ações postas em prática não têm sido suficientes para extirpar essa adversidade da sociedade.
Além disso, a falta de responsabilidade de muitas famílias é outro fator que retarda a resolução do problema. Nesse sentido, Pierre Bourdieu, sociólogo francês, disse que a violência simbólica é exercida pelo corpo sem coação física, causando danos morais e psicológicos. Partindo desse pressuposto, percebe-se que esse conceito se encaixa ao cotidiano de muitos idosos, uma vez que, a sociedade, imergida no individualismo e na efemeridade das relações, acaba vendo a terceira idade como contratempo e acabam os desprezando, o que corrobora para abalos psicológicos daqueles que sofrem com o abandono. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa situação de forma urgente.
Fica claro, portanto, que são fundamentais intervenções aptas para mitigar tal impasse. É preciso que o governo, órgão de instância máxima na administração da nação, em parceria com a mídia, auxilie na conscientização da população sobre os cuidados que uma pessoa idosa necessita e sobre o que o abandono pode causa-la, por meio de propagandas em canais abertos de televisão e palestras em lugares públicos, a fim de que essa situação possa ser mudada. Ademais, cabe ao Estado, em conjunto com o Estatuto do Idoso, fazer projetos que visem a construção de casas de apoio e fornecimento de apoio psicológico para os desamparados. Somente assim, o que está garantido na Constituição será realmente cumprido.