Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 26/01/2021

São Tomás de Aquino, filósofo da tradição escolástica, defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, no Brasil, a questão dos idosos contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, esse grupo é vítima constante de abandono familiar. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de uma legislação eficiente e de uma lenta mudança na mentalidade social.

Em primeiro plano, convém ressaltar, que a má elaboração e aplicação de leis como a da previdência social e assistência social são fatores determinantes para a persistência da problemática. Dessa forma, segundo Umberto Eco, “Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna, explicitada pela falta de uma legislação eficiente. Assim, sem aplicação legal adequada, ações de remediação são dificultadas, o que acaba por agravar ainda mais aquestão do abandono dos idosos.

Ademais, ressalte-se também a dificuldade de planejamento a longo prazo da população para se adaptar com o aumento da expectativa de vida do país. Desse modo, na obra “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman os tempos são ‘líquidos’ porque tudo muda tão rapidamente, nada é feito para durar, para ser “sólido”, devido a isso de maneira específica na realidade brasileira, a falta de planejamento futuro gera impasses de difícil solução, como o crescimento do número de pessoas em albergues e a falta de uma poupança para garantir uma boa velhice. Assim, essa liquidez - imediatismo - que influi sobre a vida da população funciona como um forte empecilho para uma boa longevidade.

Portanto, para que os indíces de abandono de pessoas da 3º idade deixe de  fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Por isso, é fundamental, a criação e fiscalização de projetos eficientes de lei que contemplem a questão do abandono de pessoas idosas, pelas comissões da Câmara e do Senado, em parceria com consultas públicas. Tais consultas devem ser amplamente divulgadas nas redes sociais, para o público em geral ter acesso e se posicionar. Além disso, em tais consultas, seria viável disponibilizar para download uma cartilha em PDF que contemple os detalhes da lei proposta, para que o problema do abandono não só ganhe respaldo eficientemente legal, como também o faça de maneira consciente por parteda população.