Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 26/01/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizavam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão do abandono de idosos na contemporaneidade. Nesse sentido, a problemática em questão fundamenta-se no individualismo e na insuficiência da legislação referente ao tema.
Convém ressaltar, a princípio, que o individualismo é um fator determinante para a persistência do problema. Nesse aspecto, Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade Líquida”, defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A partir dessa perspectiva, a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na sociedade, no que tange ao abandono de idosos. Dessa forma, pessoas põem seus desejos e interesses acima do cuidado e respeito com o próximo, o que contribui, de forma significativa, para a persistência desse imbróglio. Ademais, ressalta-se que a insuficiência da legislação também configura-se como entrave no que diz respeito ao abandono de idosos. Sob esse viés, a Constituição Federal e o Estatuto do Idoso buscam garantir a integridade dos anciãos e do ambiente em que estão inseridos. Todavia, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere ao abandono de pessoas com mais de sessenta anos, uma vez que a problemática continua atuando fortemente na contemporaneidade. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.
Portanto, é necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos desenvolva - em parceria com o Conselho Federal de Psicologia - campanhas publicitárias, na TV e internet, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Desse modo, poder-se-á ser desenvolvida uma cultura de empatia na sociedade, que aplacará esse cenário de descaso hodierno com a população anciã.