Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 02/02/2021
O paradoxo dos idosos: de sábios à descartados.
O crescimento populacional ao longo das décadas possui valores notáveis e, ao mesmo tempo que simbolizam novos indivíduos para proporcionar o desenvolvimento do país, contrasta com o número de idosos que são descartados como inválidos. Portanto, o abandono de idosos está diretamente relacionado à desvalorização do indivíduo em relação ao que este representa no cenário capitalista e meramente lucrativo em que estamos inseridos. Desse modo, é necessário que tomemos consciência para trazer de volta aos idosos o sentimento de pertencer à sociedade como cidadãos valiosos.
Em diversas tribos indígenas e outros modelos de sociedade do século XVIII, os mais velhos eram considerados objetos de veneração, figuras que representavam conhecimento, autoridade e até certo grau de divindade. Por isso questiona-se em que momento o idoso se tornou um fardo à seus herdeiros: com o desenvolvimento da globalização e das redes de comunicação, passamos pela terceira revolução industrial, chegando hoje à uma sociedade imediatista e capitalista, que busca e valoriza o lucro rápido até como forma de segregar a população. Nesse âmbito, os idosos, em sua maioria aposentados e altamente dependentes, são considerados inválidos e abandonados em asilos e casas de repouso por seus familiares, como forma de “descarte sem culpa”.
Além disso, assim como os arquivos e dados historiográficos servem como objeto de estudo para evolução social e para não repetirmos erros passados, as pessoas de maior idade com sua vivência e conhecimento podem proporcionar grandes lições, não podendo ser meramente abandonados. Analogamente, o papa Francisco afirma em seu livro “Deus é jovem” que a união entre a juventude e os anciãos é o que pode transformar a sociedade e fazê-la progredir para um ambiente mais justo e harmônico.
Dessarte, é necessário que o governo conscientize a população sobre o valor dos idosos como indivíduos altamente capacitados e portadores de grande conhecimento através de palestras e propagandas em escolas e nas mídias sociais -canais televisivos, jornais e redes sociais- fazendo com que os idosos possuam sua dignidade preservada, os jovens adquiram conhecimento empírico e o convívio social seja mais agradável e valioso.