Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 02/02/2021

Educar para não abandonar

Na animação “UP - Altas Aventuras”, a problemática do abandono de idosos é abordada através do contraste entre flashbacks da juventude alegre do personagem Carl e as imagens da solidão de sua velhice. Assim como na ficção, a sociedade contemporânea também tem visto cada vez mais exemplos do descaso com a terceira idade, uma ação desumana que consta como crime na Constituição Federal. Porém, assim como no filme, é principalmente no abandono afetivo de idosos por sua família, encarado pela sociedade com falta de atenção e dificilmente fiscalizado, onde reside a grande maioria dos casos de abandono da terceira idade.

Primeiramente, é importante identificar os efeitos que a falta de consciência social acerca do abandono afetivo de idosos têm nessa problemática. Isso é evidenciado pelo número crescente de idosos que são deixados por seus filhos e dependentes em casas de repouso, onde eles são negados o contato ou apoio da família. Com o evidente crescimento do número de idoso em nosso país, ocasionado pelo aumento da expectativa de vida e o avanço da medicina, deveria vir crescendo também uma consciência social acerca dos deveres da sociedade com os idosos. Porém, o número de abandonos também cresce exponencialmente.

Ademais, cabe ressaltar que, apesar da existência do Estatuto do Idoso que garante os direitos básicos e da criminalização do abandono de incapaz, a fiscalização acerca do abandono afetivo ainda é precária em nossa sociedade. Tal precariedade está enraizada na ideia de que não existe abandono afetivo, e que já que os idosos não estão sendo negados direitos básicos como comida e moradia o descaso da família não pode ser repreendido. Logo, é nesta ideia arcaica e desumana que mora a principal razão do desprezo dos meios de fiscalização com a problemática.

Dessa forma, com o intuito de minimizar o abandono de idosos em nossa sociedade, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas midiáticas que tratem da problemática, educando a sociedade acerca da falta de humanidade que é tal descaso, já que como dito por Immanuel Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Outrossim, é dever dos meios de fiscalização locais o policiamento da situação dos idosos deixados em casas de repouso, asilos ou em suas próprias casas, para que os responsáveis por casos de abandono afetivo sejam culpabilizados.