Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 01/02/2021
Assim como o sistema carcerário brasileiro, no qual criminosos são inseridos em cadeias mesmo com a lotação, os idosos em casas de respousos, passam pelo mesmo panorama, ainda que seu único delito seja a idade avançada. Foi-se o tempo em que o ser humano vivia apenas 40 anos, lutando para sobreviver no meio do caos: o aumento da expectativa de vida nos dias atuais, embora positivo em diversos sentidos, também traz uma grande questão a ser resolvida, sendo esta o abandono físico e afetivo da população acima de 60 anos, muitas vezes colocados em condições deploráveis pela própria família, sendo negados o direito de escolha.
O abandono de idosos, que, pelo Estatuto do Idoso, é um crime que pode gerar prisão, é muito menos discutido do que deveria, isto porque a a população mais velha no Brasil começou a crescer exponencialmente há pouco tempo, sendo que houve um aumento de 26% nos últimos seis anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, os brasileiros, por diversos motivos, acabam não se preparando para a velhice, tanto em termos de dinheiro, não deixando resevas, quanto em termos de saúde, a qual é negligenciada ao longo da vida, podendo causar problemas mais sérios no futuro; por não ter esse preparo para lidar com pessoas de idade nem de maneira pessoal, as alternativas que restam são deixar esses idosos abandonados e sem o benefício das visitas em hospitais e asilos.
A canção “Young and Beautiful”, da consagrada cantora estadunidense Lana Del Rey, indicada ao prêmio internacional de música em 2014, o Grammy, trata exatamente do receio de muitas pessoas quando o eu lírico se pergunta “Você ainda irá me amar/Quando eu não for mais jovem e bela?”. O ser humano precisa, primeiramente, superar seu medo interno da velhice para saber lidar com a velhice dos que o rodeiam, evitando os estigmas e tratando as pessoas mais velhas com o respeito e a empatia com o qual gostariam de ser tratados.