Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 03/02/2021

Os idosos representam a camada mais cultural e rica em conhecimento da sociedade. Logo, o abandono dos mesmos apenas reflete um descaso com a cultura e com o saber em uma microescala. E as suas causas envolvem desde a globalização, até as inovações tecnológicas.

Primeiramente, fica óbvio o empenho destes processos contemporâneos em aproximar as pessoas, mas existe uma falha nessa “inclusão social”: as pessoas que não tem acesso aos meios pelos quais ela ocorre. Por exemplo, no caso das redes sociais e os idosos. Na maioria das vezes uma pessoa mais velha não possui conhecimentos básicos sobre informática, devido a recente disseminação da tecnologia. Isso gera um isolamento da geração antiga nesse mundo de relações virtuais.

Ademais, como a globalização propõe uma cultura (única) para o mundo inteiro, acaba por “esmagar” as manifestações regionais das quais as pessoas de mais idade foram nutridas durante suas vidas. A partir daí, diria Chateaubriand: “Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso”.

Afinal, não basta a falta de investimento para arcar com a velhice - situação dos países emergentes e subdesenvolvidos - extinguem a cultura, desvalorizam o conhecimento/origem dos idosos e depois de estarem marginalizados pela sociedade o próximo passo é o abandono, como provam as 4.943 denúncias feitas na central do idoso em 2018.

Dessarte, cabe ao Tribunal de Justiça, desenvolver leis que favoreçam uma aposentadoria digna aos idosos; enquanto, o Governo Federal - através do Ministério da Cultura - deve incentivar projetos de exaltação da cultura popular, por meio da destinação de verba e propaganda, com o foco nas pessoas mais velhas capazes de passar as tradições populares, a fim de que as mesmas sejam mais valorizadas em sua integridade.