Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 15/02/2021
O aumento da longevidade traz consigo um problema de ordem cultural, que está relacionado com a idealização da juventude em detrimento da visão que se tem do avanço da idade. Nas culturas indígenas, ao contrário da cultura ocidental, os idosos são vistos como indivíduos sábios e que em muito contribuem para a sua comunidade.
De maneira análoga, países mais desenvolvidos costumam valorizar seus idosos. A exemplo disso, verifica-se que em países como a Suíça, por exemplo, os idosos são mais saudáveis e sofrem menos com a depressão nesta faixa etária (Revista Isto É, 2017). Isso corrobora a ideia de uma longevidade ativa, ao contrário do que acontece atualmente em países como o Brasil, que vêem seus idosos como um fardo a ser carregado.
A criação do Estatuto do Idoso, em 2003, veio acudir uma realidade excludente e cruel, mas em nenhum momento tratou da mudança de paradigmas. A partir de então, foi possível tratar legalmente de ações de abandono, por exemplo (medidas corretivas) mas não houve a previsão de qualquer instrumento que apontasse para a desconstrução do estereótipo da eterna juventude, tampouco para a construção de outros novos, em que a experiência do idoso seja valorizada.
Por outro lado, uma pesquisa realizada pelo Datafolha, mostra que a maioria das pessoas concordam que os mais velhos estão mais preparados para o trabalho e são possuidores de qualidades como ética, honestidade, pontualidade e outras. Todavia, a mesma pesquisa também aponta para um cenário de preconceito, principalmente das empresas contratantes.
Dado isso, fica evidente, portanto, a necessidade da mudança de padrões culturais. Sendo assim, é tarefa do Ministério da Educação construir instrumentos de valorização do idoso, aplicáveis já na primeira infância, para que os indivíduos do futuro se comportem diferentemente de como o fazem hoje. Somado a isso, o governo Federal pode começar ações de curto prazo, como campanhas publicitárias de valorização dessa parcela da população e assim garantir que o idoso não seja mais objeto de descarte.