Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 24/02/2021
Em 1798, houve a difusão da Teoria Malthusiana, a qual motivou a criação dos métodos contraceptivos para a diminuição da natalidade. Acrescido a isso, está a evolução da medicina, o que prolonga a expectativa de vida. Dessa forma, ocorre a inversão demográfica com o aumento de idosos. No entanto, tanto os órgãos públicos, quanto os trabalhadores, não se preparam para essa fase e ,além disso, cresce a fluidez das relações contemporâneas que influenciam na rejeição familiar, causas para o abandono dos mais velhos. Essa situação deve ser revertida para que o idoso viva com dignidade.
Primordialmente, o Princípio Ético da Responsabilidade, desenvolvido pelo filósofo Hans Jonas, defende a tomada de decisões a partir da reflexão sobre o impacto por elas gerado no futuro. Entretanto, a população economicamente ativa do Brasil (PEA), em sua maioria, não coloca esse princípio em prática, visto que apenas 11% poupa suas finanças voltadas para o sustento na velhice, conforme o IBGE. Desse modo, resta ao governo oferecer o suporte necessário, que é cada vez mais sobrecarregado pelo aumento dessa faixa etária e que atualmente está superlotado. Isso tende a piorar se os órgãos responsáveis permanecerem na inércia e sequenciará no desabrigo.
Outrossim, segundo as reflexões sobre a Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, o individualismo cresce na sociedade, bem como as relações superficiais e efêmeras, até mesmo entre familiares. Assim, os filhos, com seus próprios planejamentos e metas inexoráveis, não têm tempo e espaço em suas vidas para o cuidado com os pais na velhice, sendo um abandono afetivo. Todavia, não só o ocorre afetivamente, mas também fisicamente, em que os indivíduos ficam sujeitos a roubos, violências e condições sanitárias precárias pela impotência devida da idade e condições físicas, conjuntura que fere o artigo 6° da Constituição Federal, o qual garante os direitos sociais a todos os cidadãos brasileiros.
Portanto, medidas devem ser executadas para resolver os impasses acima citados. Para isso, o Ministério da Previdência Social deve desenvolver um comercial que divulgue o projeto “Planejamento: a chave para um futuro melhor”, o qual será um programa de contribuição acrescida durante a fase ativa trabalhista, que garante os cuidados necessários do contribuinte na velhice. Ademais, terá um cunho de conscientização à família em relação a cuidados e assistência, a fim de não sobrecarregar o sistema público, que dará um apoio mais completo àqueles que carecem dos asilos governamentais e, assim, todos terão um futuro mais seguro e digno.