Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 21/05/2021

No livro bíblico eclesiástico, escrito por volta de 180 a.C., tem-se os seguintes versículos: “Meu filho, ampara teu pai na velhice. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, seja compreensivo e não o humilhes”. Através dessas máximas, é possível perceber que a preocupação com o zelo aos idosos por parte dos filhos já era pertinente mesmo na antiguidade. Entretanto, com o passar dos séculos, o capitalismo ascendeu e o tempo adquiriu valor monetário, o que alavancou o desprezo aos mais velhos. Desse modo, urge um debate acerca da questão do abandono de idosos no Brasil.

Primeiramente, sob o ponto de vista capitalista, os idosos são improdutivos e custosos, levando, então, ao seu descarte. Nesse sistema econômico-social tem importância aqueles que estão disponíveis para geração de capital, dessa maneira, os mais velhos, aposentados, estão à margem  da cadeia produtiva e, por consequência, são negligenciados pela sociedade. Isso é comprovado com o dado do site UOL, que calcula cerca de cinquenta mil idosos em situação de rua no Brasil. Logo, a improdutividade, condenada pelo capitalismo e associada aos idosos, torna-se a mácula responsável pela segregação dessas pessoas.

Do mesmo modo, a lógica capitalista interfere que o tempo seja mercantilizado, o que leva os filhos a racionar ou extinguir as horas que despendem ao assistir os pais. Uma prova disso é o aumento contínuo de idosos em asilos e em abrigos públicos, que, em 2017, somavam oitenta e três mil, de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA). Dessa forma, os filhos e parentes próximos restringem a atenção dada ao seus pais, pois, são coagidos, pelo sistema, a utilizarem seu tempo em atividades lucrativas e rentáveis. Como resultado, há um grande contingente de senhores e senhoras que estão esquecidos em lares de idosos, onde padecem de tristeza e solidão.

Portanto, o atual modelo de produção favorece o abandono de idosos no Brasil, porque molda as pessoas para priorizarem atividades econômicas em relação aos cuidados com os próprios pais. Esse problema só poderá se solucionar com a mudança de paradigma da sociedade. Visto que isso é pouco provável de acontecer repentinamente, faz-se necessário que as instituições educacionais ensinem as crianças a valorizarem os anciãos desde o primário, por meio de programas de integração entre escolas e lares de idosos, a fim de que o contato entre pueris e senis promova uma troca de experiências e gere mútuo respeito. Assim, a solidão dos idosos atualmente reclusos em asilos será mitigada e as crianças se tornarão adultos que cumprirão os princípios descritos no livro do eclesiástico.