Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 14/03/2021

O envelhecer numa perspectiva interdisciplinar

Elefantes velhos não se afastam do grupo para morrer. Na verdade, deixam de conseguir acompanhar o grupo mais jovem, e são desprezados, para morrer junto com outros elefantes velhos. Semelhante a isso, tem-se visto no país, situações em que os idosos, por deixarem de ser funcionais, são abandonados, ou pior, são violentados fisica-psico-financeiramente, perpetuando uma visão de que o Brasil não enxerga, nem cuida dessa parcela da população, com a falsa impressão de se tratar de um país jovem. Junte-se a isso, a desvalorização da educação, da pré-escolar à pós-graduação, que é fator intrínseco do sucesso de ações que tendem a desencadear num processo de bem-estar social, incluída aqui a terceira idade.

Nesse contexto, o país capenga em duas vertentes: mesmo com o alcance da Constituição Federal de 1988, chamada de Constituição Cidadã, e os avanços trazidos com a seguridade social, ainda não se atingiu um nível satisfatório de bem-estar social, visto pelas dificuldades relacionadas às conquistas da saúde, educação, etc.; além disso, um fator de proteção do envelhecimento é o adequado desenvolvimento infantil, em especial da idade pré-escolar, de acordo com estudos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e o que se vê são problemas graves relacionados a essa fase da vida, como os relacionados às questões alimentares e de desenvolvimento geral.

Paralelamente a essa falta de preparo adequado para o envelhecimento, e em razão dela também, muitas pessoas e famílias abandonam os seus idosos, numa evidente falta de empatia, ou, de modo mais profundo, de alteridade. Como diz Cortella, humanos precisam enxergar humanos, estranhando o que é tido como natural. Porém, a sociedade brasileira ainda não se enxergou como aquilo que está se tornando: uma sociedade envelhecida. Dessa forma, trata os seus idosos como se eles não fossem um reflexo daquilo que se tornarão, largando-os a sua própria sorte, ou em realidades envoltas de extrema violência, com reflexos no estado físico e na saúde mental.

Portanto, para que haja ampliação dos fatores de proteção dos idosos, é imprescindível que o governo federal, em conjunto com os governos estaduais e municipais, invista em ações interdisciplinares de educação e saúde relacionadas ao envelhecimento, em especial aos ambientes saudáveis, como as “Cidades Amigas do Idoso”, propostas pela Organização Mundial de Saúde, a fim de que pessoas acima de sessenta anos continuem sendo tratadas como cidadãs. Como resultado, tem-se a perspectiva de um país mais justo e de força no contexto mundial.