Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 14/03/2021
O escritor polonês Stefan Weig, na metade do século passado, mudou-se para o Brasil por conta da perseguição nazista na Europa e escreveu um livro chamado “Brasil, país do futuro”. Todavia, quando se observa o aumento da taxa de abandono de idosos no país, percebe-se que o título não passa de uma utopia. Tal problema, motivado pela negligência governamental e falta de conscientização social, deve ser resolvido.
Em primeiro plano, destaca-se a negligência governamental como uma das causas da adversidade. Isso ocorre devido o aumento de idosos no mundo e o despreparo dos governos perante a situação. De acordo com o IBGE, existem 17 milhões de pessoas acima de 60 anos no Brasil, número quase duas vezes maior do que o de duas décadas atrás. Mesmo com esses dados, observa-se a falta de programas que visem o bem-estar dos idosos, principalmente dos aposentados, e fiscalizações de casos de abandono, que não são denunciados, logo, não tendo a devida atenção.
Ademais, salienta-se a falta de conscientização social como mais um dos motivos para a permanência da problemática. Tal fator advém da fama que a terceira idade tem de ultrapassados e inválidos, que faz com que a população os veja como inaptos de realizar atividades. Isso leva algumas famílias a mandaram seus patriarcas para casas de repousos, onde mais de 40% vivem, de acordo com o portal “Amigo do Idoso”, ao invés de tentar auxiliar. Mesmo o abandono de incapaz sendo crime com pena de no mínimo seis meses, a prática ainda é recorrente.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. O Ministério da Saúde deve garantir o bem-estar físico e mental da população idosa, por meio de programas que ofereçam cursos, atividades físicas e atendimento psicológico de forma gratuita, para que eles se mantenham integros e o governo garantindo os seus direitos constitucionais. Além disso, a mídia e as escolas devem mudar a imagem da população acerca da terceira idade, por meio de campanhas de valorização, objetivando uma conscientização social. Somente assim o título do livro de Weig se tornará uma realidade.