Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 17/03/2021

O século XX marca o início de um fenômeno de envelhecimento gradual populacional, em virtude da modernização dos sistemas de saúde e da diminuição da taxa de natalidade. Na contemporaneidade viver mais tempo não significa viver da melhor forma, pois muitas pessoas em idade avançada se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica e cultural, em função de mitos difundidos na sociedade e da falta de planejamento para garantir uma boa velhice.

Em uma primeira abordagem, é importante ressaltar que todo idoso não volta a ser criança. Na conjuntura social atual esse pensamento é popularmente disseminado entre diversas esferas socias. Embora alguns comportamentos da pessoa idosa se assemelhem aos de uma criança, esse indivíduo não retorna a fase infantil e segundo o psicólogo Gustavo Souza em uma entrevista para o Jornal Folha Vitória, “infantilizar e tratar com carinho são coisas diferentes, visto que a infantilização é considerada por muitos até uma violência emocional”. De acordo com o Estatuto do Idoso, qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, é caracterizado como uma forma de crime e poderá ser punido na forma da lei.

Somado a isso, a falta de planejamento financeiro para a velhice é outro fator determinante para essa fase. Segundo o Relatório Global do Sistema Previdenciário 2020, da seguradora Allianz, cerca de 90% das pessoas com mais de 25 anos não poupam dinheiro pensando na aposentadoria. Haja visto que esse tipo de organização é de suma importância, pois no ano de 2019 a reforma previdenciária esteve em destaque no país, devido ao envelhecimento rápido da população economicamente ativa (PEA) e em 2060 haverá mais gente recebendo benefícios do que pessoas contribuindo para a Previdência segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Torna-se evidente, portanto, que fatores como a falta de preparação para o futuro e as crenças difundidas na comunidade são fatores que colocam idosos em um cenário de fragilidade. Logo, faz-se necessária a intervenção estatal, através do Ministério Público do Idoso juntamente com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para que ocorra a ampliação e divulgação das políticas da pessoa idosa por meio do envelhecimento saudável e a promoção de saúde desde a juventude, em diversas plataformas midiáticas, de modo que esse jovem se torne um idoso preparado e assim escape dos lados negativos desse fenômeno populacional. Ademais, é fundamental a estruturação de um plano de ação assistencial imediato para os idosos dos dias de hoje, que proporcione todas as informações sobre questões como saúde, previdência, ajuda legal e diversos auxílios para a faixa que se encontra a margem da sociedade para que se possa observar resulados positivos em pouco tempo.