Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 20/03/2021

Na produção cinematográfica “Up- Altas aventuras”, o protagonista Carl desempenha o papel de um idoso que recentemente perdeu sua esposa e vive solitariamente em uma sociedade globalizada. Embora seja uma obra ficcional, o filme narra um grave problema, que é a exclusão da população de terceira idade, marginalizada e tratada com desleixo na contemporaneidade. Consoante a isso, fora da ficção, percebe-se que esse cenário reflete o abandono de idosos, latente no corpo social, e que acontece em função da ausência de um comportamento social empático e da negligência familiar.

Sob primeira análise, a filósofa existencialista Simone de Beauvoir disserta, em sua obra “A velhice”, que a sociedade contemporânea promove a invisibilidade social do idoso. Esse conceito relaciona-se ao fato de que a terceira idade tem, por limitações naturais, seu papel social deteriorado e ser, para muitos, incapaz de praticar atos da vida comum. Nesse viés, a falta de ativismo social potencializa a invisibilidade denunciada por Beauvoir, colabora para a visão inferiorizada da população idosa e representa um obstáculo para a plena vivência da cidadania dessa parcela da sociedade. Diante desse descaso coletivo, o indivíduo torna-se vulnerável a mais problemas, o que prejudica a harmonia social.

Outrossim, o abando de idosos na sociedade contemporânea evidencia a maldade humana. Nesse sentido, Hannah Arendt - expoente escritora do século XX - desenvolveu o conceito de Banalidade do Mal, segundo a qual a crueldade está enraizada no contidiano. Consoante a isso, o fenômeno denunciado por Arendt se mostra presente na coletividade e manifesta-se na forma de exlusão social da terceira idade, na medida em que, até mesmo a família é negligente com os cuidados especiais ocasionados pelo envelhecimento, uma vez que apresenta-se como um cotratempo no estilo de vida imediatista da atualidade. Desse modo, enquanto a falta de empatia se mantiver, a sociedade será obrigada a conviver com um dos mais sérios obstáculos para a evolução social: o abandono de idosos.

Isto posto, é imperiosa a promoção de ONGs (Organizações não governamentais) na resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu”, devem pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, para que o Ministério da Educação promova a propagação de infromações sobre a necessidade de estabelecer a integração e o acolhimento de idosos na sociedade, além da necessidade de entender e ajudar essa parcela da população na superação de obstáculos impostos pela idade, de modo que ocorra a massificação do tema na coletividade e uma conscientização e inclusão social.