Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 20/03/2021

No filme da disney “UP, altas aventuras”, é retratado o preconceito sofrido pelo personagem principal, um idoso, ao ser mal visto na vizinhança como alguém inútil e arrogante. De mesmo modo, na contemporaneidade a sociedade tem esse estereótipo negativo do idoso, impedindo uma convivência saudável com o ancião. Com isso, surge a questão do abandono de idosos, que persiste intrínseca na realidade hodierna, seja pelo abuso de poder da família ou pelo abandono indevido em um abrigo.

Em primeira análise, é valido salientar que na sociedade atual em que o “ter” se tornou mais importante que o “ser”, os idosos passaram a ser negligenciados no meio social por serem considerados inofensivos. Nesse sentido, o idoso se enquadra no conceito de corpo dócil, um corpo que pode ser facilmente submetido e utilizado, do filosófo Michael Foucault. Por conseguinte, em casos de abandono afetivo, a família, mecanismo de poder sobre o idoso, aproveita dessa inocência para menospreza-lo, abusando da autoridade e ferindo os direitos humanos do mesmo.

Em segunda análise, é indubitável afirmar que o abandono de idosos em abrigos se naturalizou na realidade brasileira. Acerca disso, ao afirmar que “tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar em um quarto de despejo”, a escritora Carolina Maria de Jesus define perfeitamente o estado emocional dos idosos ao serem “empurrados” para um abrigo de forma desumana. Dessa forma, se torna nítido que alojar o idoso em um abrigo não é o suficiente para a garantia do seu bem estar, sendo necessário o apoio e a presença da familia a todo momento.

Portanto, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tanto, o governo deve promover a conscientização da população diante dos direitos dos idosos, por meio do projeto “Você, ser humano”, nele a mídia irá transmitir propagandas nas redes abertas de televisão, que expliquem as formas de abandono, afetivo e fisico, e informem as responsabilidades legais das familias sobre o idoso, a fim de preservar a saúde mental do ancião. Somente assim, a realidade de “UP” se restringirá na ficção.