Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 24/04/2021

Segundo o filósofo chinês Confúcio, o amor dos filhos aos pais envelhecidos, a assegurar-lhes maior proteção e segurança na última fase da vida, compreende uma das mais sublimes ações do homem para consigo mesmo e para com a sua espécie. No entanto, o ser humano tem se afastado dessa concepção, uma vez que o abandono de idosos pela família é uma realidade hodierna, o que muitas vezes significa condená-los  a viver de forma precária, além de ser reflexo de um tempo marcado pelo individualismo.

Em primeiro lugar, é importante destacar que segundo estatísticas do Banco Mundial, enquanto em certos países mais da metade da população faz economia para a velhice, no Brasil esse índice cai para 11%. Assim sendo, grande parte dos idosos passam a depender de abrigos públicos quando não são acolhidos pelos familiares, o que muitas vezes significa viver sob condições precárias e humilhantes em uma fase da vida que requer cuidados especiais.  Ademais, o profundo sentimento de tristeza e solidão decorrente do abandono pode ainda causar distúrbios psíquicos no ancião, como a depressão, levando-o a escassez também de saúde.

Além disso, percebe-se que o crescente desamparo de idosos relaciona-se à contemporaneidade. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se hoje a modernidade líquida, e uma de suas características é a substituição da ideia de coletividade e de solidariedade pelo individualismo. Portanto, o ato egoísta de abandonar familiares em idade avançada, carentes de cuidados básicos e atenção é nutrido por essa liquidez que atinge os relacionamentos, a qual é típica dos tempos hodiernos.

Destarte, é necessário que haja metanoia na sociedade mediante a conscientização, a qual deveria ser efetuada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por meio de anúncios publicitários que seriam veiculados obrigatoriamente no rádio, TV e internet, e abordariam os impactos do abandono na vida do idoso, tratando de aspectos financeiros, sociais, emocionais. Dessa forma, os familiares poderiam desenvolver um sentimento de empatia por seus anciãos e assim, praticar aquele amor e cuidado que Confúcio chamou de uma das mais sublimes ações do ser humano.