Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 19/04/2021
Para o filósofo francês Michel Foucault, o ser humano é formado pelos fatores bio-psico-sociais, os quais são confirmados pela plena prática dos direitos e exercício da cidadania. Contudo, essa tríade da composição do indivíduo, para muitos grupos, como o idoso, não é assegurada, tendo em vista, hodiernamente, o abandono desse grupo pelo corpo social. Isso se deve, principalmente, à cultura da validade ainda instalada no pensamento moderno e ao despreparo do poder público em atender a legislação vigente.
Em primeira análise, ocorre na sociedade a supervalorização da população economicamente ativa, em detrimento a outras parcelas da sociedade, como os aposentados. Dessa forma, cria-se intrinsecamente a sociedade uma mentalidade de validez do sujeito, ou seja, marginaliza-se, por exemplo, a população idosa. Em consequência disso, cerca de 84 mil idosos vivem em asilos, segundo o Instituto de Pesquisa Brasileira, o que usurpa do indivíduo o direito à convivência familiar. Assim, a garantia da dignidade da pessoa com idade igual ou maior de 60 anos (60+), previstos pelo Estatuto do Idoso, é infringida e a cidadania, infelizmente, mitigada.
Além disso, torna-se evidente o descaso do setor público em relação às pessoas 60+,levando em consideração o envelhecimento em situação de rua. Desse modo, conforme o censo populacional, aproximadamente três mil idosos encontram-se sem abrigo na cidade de São Paulo. Dessa maneira, estabelece-se uma situação de miserabilidade e a não manutenção das necessidades básicas desse grupo em vulnerabilidade social. Assim sendo, assiste-se a um cenário de banalização da injustiça.
Portanto, é imprescindível assegurar e confirmar os direitos do idoso e a mitigação ao abandono. Logo, o governo, como agente de manutenção da democracia, juntamente a organizações não governamentais, deve tornar ínfimo a marginalização e o descaso ministrados a essa parcela populacional. Isso acontecerá, por meio da conscientização sobre a seguridade da qualidade de vida para a longevidade (palestras, programas televisivos gratuitamente em espaços públicos), além de investimentos para o acolhimento (alimentação, abrigo) de pessoas 60+ em situação de rua. Feito isso, haverá o cumprimento do Estatuto do Idoso em sua inteireza e a consequente formação plena do ser humano, de acordo com a filosofia foucoultiana.