Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 05/04/2021

No longa-metragem “O estagiário"é apresentado o personagem Ben, que, por ser o único idoso em uma empresa composta, majoritariamente, por jovens, acaba sendo isolado e tratado com diferença. Fora da ficção, é evidente a mimésis entre o filme e a realidade contemporânea brasileira, pois, ainda que vigente o Estatuto do Idoso, esse grupo social continua a ser vítima da transgressão dos próprios direitos constitucionais. No entanto, essa problemática também tange à carência de políticas públicas.

Em primeira análise, é relevante mencionar o desprezo da sociedade brasileira à condição de cidadão dos idosos como favorável à problemática. Isso porque, mesmo após a aprovação do Estatuto do Idoso – documento que regulariza os direitos desses indivíduos –, é frequentemente noticiado, nas mídias sociais, situações de descumprimento desse regulamento, como o boletim, de 2020, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, no qual é relatado o aumento em 406% dos casos de maus-tratos aos idosos no país. Desse modo, este cenário de “Anomia social”, estado em que as normas sociais estabelecidas não são plenamente efetivadas, de acordo com Émile Durkheim, se configura como ideal para a perpetuação do abandono dos cidadãos da terceira idade.

Outrossim, é lícito destacar que a carência de políticas públicas visando atender às necessidades dos idosos demonstra a negligência estatal com a temática abordada. À luz dessa perspectiva, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever de o Estado brasileiro garantir o bem-estar dos cidadãos. Nesse sentido, é cabível a promoção da construção de asilos públicos, com o intuito de fornecer amparo as esses indivíduos. Entretanto, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, os asilos públicos estão lotados e a demanda por vagas tem aumentado a cada ano, visto o crescimento da população a partir de 60 anos. Dessa forma, o contexto apresentado evidencia a ingerência do Governo Federal com a temática.

Em vista do exposto, é evidente a primordialidade do debate sobre a questão dos idosos na contemporaneidade. Posto isso, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos orientar a população à efetivação dos direitos constitucionais dos idosos, por meio de propagandas, de caráter chamativo, a fim de atrair à atenção dos receptores, nas mídias sociais, como o jornal, com o fito de impedir o descumprimento do Estatuto do Idoso. Além disso, esse ministério deve, em parceria com os Governos Estaduais, viabilizar a construção de asilos públicos, por intermédio de verba federal e estadual, com o objetivo de atender a alta demanda por lares para a terceira idade. Desse modo, cenários como o de “O estagiário” serão raros no Brasil.