Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 03/04/2021
Na cidade grega de Esparta, na Idade Antiga, a velhice era uma condição honrada. Tal honra era evidenciada na gerúsia, conselho de anciãos de grande importância política. Hodiernamente, entretanto, são cada vez mais comuns o abandono e a desvalorização de pessoas idosas. Dessa forma, torna-se evidente um problema alicerçado na falta de aplicabilidade de leis inerentes a esse grupo social, bem como no preconceito a esses indivíduos.
Em primeira análise, percebe-se o desuso do Estatuto do Idoso no território nacional, visto que, segundo o documento, é crime o abandono de idosos. Sob esse viés, de acordo com Thomas Hobbes, é dever do Estado prover o bem-estar social da população. Nesse sentido, é fundamental que o governo cumpra com o dever abordado pelo filósofo a partir do Estatuto em questão, que garante medidas para prover uma qualidade de vida digna aos idosos. Logo, com a utilização de mecanismos legais o abandono das pessoas com uma faixa etária mais avançada pode ser abrandado.
Além disso, a pessoa idosa é desvalorizada no Brasil devido à concepção retrógrada de incapacitação. Antagonizando tal fato, é importante destacar o pensamento de Camões, escritor lusitano, que em grande parte das suas obras abordava a inconstância do tempo. Dessa maneira, é crucial introduzir o ideal de passagem do tempo do escritor em questão, pois a velhice é uma condição inerente a todo ser humano. Por conseguinte, o preconceito diante a velhice tem como consequência o abandono dessas pessoas, que tem como causa a falta de empatia e projeção do futuro, por parte da sociedade jovem.
Torna-se claro, portanto, medidas corretivas à problemática em debate. Para que isso ocorra é necessária a intervenção do Estado, a partir de medidas que corroborem para a prisão de indivíduos que abandonam idosos, como o uso do Estatuto do Idoso que prevê detenção de até três anos. Bem como a construção de centros de convivência, capazes de introduzir novas funções sociais à comunidade idosa, como dança, pintura e jogos. Isso, consequentemente, colaboraria não só para a diminuição nos casos de abandono, mas também ajudaria a reintroduzir no tecido social os responsáveis pela construção dos pilares da sociedade atual.