Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 08/04/2021

Conforme a teoria do Barco dos Loucos de Michel Foucault, o trato social contemporâneo  tende a segregar indivíduos que não contribuem para com o desenvolvimento da vida coletiva. Tal implicação relaciona-se com a problemática do abandono de idosos em questão atualmente. Afinal, é concluído, de forma generalizada, que tal grupo não soma para a evolução cosmoplita devido à suscetibilidade a problemas fisiológicos e considerações burocráticas que afetam Estados em sua totalidade, como reformas previdenciais. Assim, o contingente idoso é negligenciado e destinado à condições de desamparo.

Em primeira análise, é perceptível que tal descaso aos mais velhos é naturalizado a partir de padrões socioculturais que substituiram visões favoráveis aos anciões, posto que paradigmas exercem coerção social e moldam o comportamento geral. Tal assertiva é confirmada ao analisar historicamente que os hábitos de comunidades indígenas ancestraisl, as quais consideravam os mais velhos como o pilar de difusão de conhecimentos e de registros de suas tribos, foram renegados e substituídos por perspectivas ocidentais, como o estabelecimento do idoso como ser frágil e improdutivo economicamente, que aumentam a vicissitude do abandono.

Nesse mesmo sentido, a alegação do impacto negativos de tais preceitos em meio à sociedade é reforçada a partir da influência do individualismo como fator que dissocia ainda mais o todo, já que essa característica implica a ausência de valores comuns entre sujeitos, o que provoca a falta de empatia, como dissertará Durkheim em seus estudos sobre a Solidariedade Orgânica, a qual distância o resto da população da seriedade da situação e do sofrimento que é produto disso.

Portanto, é fato que o abandono de idosos é uma adversidade enraizada nos costumes sociais. Logo, é preciso que o Estado, responsável pelo bem-estar social,  certifique que as diretrizes do Estatuto do Idoso, criado em 2003, sejam aplicadas pelo território brasileiro através de propagandas em rede nacional reforcem tais direitos a fim de que o grupo informe-se devidamente sobre suas garantias para compelir com conhecimento a reprimir esse descaso. Torna-se indispensável, também, que instituições educacionais de todos os níveis de ensino incentivem a difusão de conjunturas que valorizam a posição do idoso, como a das culturas nativas, com o objetivo de corrigir os erros do presente, resultante de preconceitos sociais, em gerações vindouras. Desse modo, o respeito ao idoso fomentará práticas contra o seu abandono.