Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 10/04/2021

Conforme a teoria do Barco dos Loucos de Michel Foucault, o trato social contemporâneo tende a segregar indivíduos que não contribuem para com o desenvolvimento da vida coletiva. Tal implicação relaciona-se com a problemática de abandono de idosos em questão na atualidade. Afinal, é concluído, de forma generalizada, que tal grupo não soma para a evolução cosmopolita devido à suscetibilidade a problemas fisiológicos e considerações burocráticas que afetam o Estado em sua totalidade, como reformas da previdência. Assim, o contingente idoso é negligenciado e destinado às condições de desamparo.

Em primeira análise, é perceptível que tal descaso aos mais velhos é naturalizado a partir de padrões socioculturais que substituíram visões favoráveis aos anciões, posto que paradigmas exercem coerção social e moldam o comportamento geral. Tal assertiva é confirmada ao analisar historicamente que os hábitos de comunidades indígenas ancestrais, as quais consideravam os mais velhos como pilares da difusão segundo tradições como as dos Tupi-Guarani, foram renegados por perspectivas ocidentais regidas pela lógica capitalista, como o estabelecer o idoso como ser frágil e improdutivo para a economia, que aumentam a vicissitude do abandono.

Ademais, nota-se que tais alegações danosas destinadas a esse contingente também são reforçadas a partir do individualismo que permeia a sociedade, como demonstra Durkheim em seu estudo sobre a Solidariedade Orgânica, já que os valores que previamente conectaram o todo, também com os mais velhos, foram desprezados em favor de interesses pessoais e corporativos. Essa situação é refletida no longa-metragem Up, relativo ao momento em que o protagonista, Sr. Fredricksen, é forçado a retirar-se do seu terreno e ir para uma casa de repouso, medida socialmente aceita que ainda trata-se de uma forma de abandono, uma vez que aquele espaço era necessário para construções urbanas de uma grande corporação.

Portanto, é fato que essa questão é uma adversidade enraizada nos costumes sociais. Logo, é preciso que o Estado certifique que as diretrizes do Estatuto do Idoso, criado em 2003, sejam plenamente aplicadas pelo território brasileiro através de propagandas em rede aberta que reforcem tais garantias, a fim de que esse grupo informe-se devidamente para compelir, com conhecimento, a repressão desse descaso. Além disso, é indispensável que instituições educacionais incentivem o aprendizado de aspectos de culturas indígenas e orientais, os quais valorizam a posição do idoso, com o objetivo de corrigir os erros do presente, resultantes de preconceitos, em gerações vindouras. Desse modo, o respeito ao idoso fomentará práticas contra o seu abandono.