Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 11/04/2021
O filme “Amor”, de Michael Haneke, retrata os desafios da terceira idade e o modo como os filhos se relacionam com os pais idosos. Embora ficcional, o contexto é coerentemente aplicável à atual situação das pessoas acima de 60 anos, que enfrentam o maior dos seus problemas, o abandono afetivo. Nesse sentido, apesar de assegurado pelo Estatuto do Idoso de que o abandono, em especial por parte de seus filhos, é crime, esse princípio, muitas vezes, não é cumprido devido a dificuldade familiar em lidar com as inúmeras necessidades dessas pessoas, e a falta de tempo.
A princípio, vale ressaltar que idosos precisam de uma maior atenção em decorrência da perda de capacidade funcional e da saúde. No entanto, em muitos casos, a falta de condições financeiras dos parentes colabora para que os deixem em situações de descaso. Outrossim, a falta de paciência para estar à disposição sempre que precisarem resulta em violência, fator que foi observado pelo Disque 100 em 2019, que registrou 13% a mais de casos contra idosos. Desse modo, o recorrente crescimento de pessoas da terceira idade em situações desumanas evidencia a negligência por parte de quem deveriam receber amparo.
Ademais, em consonância com o desinteresse da família, a rotina atarefada das gerações mais atuais dificulta a proximidade com os mais velhos. Por conseguinte, os internam em casas de repouso por não terem como cuidar ou não mantêm um fluxo de visitas, deixando-os sozinhos e deprimidos. Tal abandono justifica os dados levantados pelo IBGE em 2019, de que pessoas entre 60 e 80 anos lideram o ranking de depressão. Assim, enquanto a afetividade for superada pelas ocupações diárias o problema em questão não migrará para solução.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para combater o abandono afetivo de idosos. Sendo assim, o Poder Legislativo deve elaborar uma lei que obrigue o acompanhamento semestral dos idosos, por meio de visitas feitas por assistentes sociais, tanto nas casas, quanto nos asilos, a fim de assegurar a garantia de suas necessidades, e um convívio familiar. Além disso, o Ministério da Educação deve, por meio de propagandas em televisões, rádios etc. , retratar sobre amor parental, para que o desejo de cuidar de seus familiares não seja sob pressão legislativa, mas por amor, o que diminuiria os casos de violência. Diante da articulação dessas medidas, poder-se-á oferecer uma vida digna a essa camada social e sob os princípios do Estatuto do Idoso.