Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 18/04/2021

Sob o ponto de vista atual, as constantes modificações na pirâmide etária do Brasil revelam o aumento da expectativa de vida da população. Contudo, devido à ausência de políticas públicas sólidas e eficientes, a sociedade se encontra despreparada para receber esses indivíduos com a qualidade necessária e, dessa maneira, a longevidade não é acompanhada de bem-estar social, pois a maioria dos idosos enfrentam dificuldades como o desamparo familiar, a falta de acesso nas ruas e os problemas nos serviços de saúde. Assim sendo, é primordial reestruturar as políticas públicas atuais, bem como analisar as consequências do abandono de idosos no país.

De acordo com o Estatuto do Idoso, qualquer indivíduo com idade superior a 60 anos desfruta de todos os direitos fundamentais ligados à pessoa humana. Todavia, nota-se a sua incoerência com o cenário contemporâneo do território nacional, uma vez que a inatividade estatal contribui para o atraso no desenvolvimento de programas sociais e apoiadores voltados para atender às necessidades decorrentes desse grupo populacional. Além disso, a fragilidade do Sistema Único de Saúde é reflexo do despreparo do país em prestar serviços prioritários, tendo em conta que a fila de espera para exames e a ausência de profissionais adequados penaliza parte significativa dessa comunidade em estado de vulnerabilidade socioeconômica.

Paralelo a isso, em união com a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Diante disso, é perceptível que, lamentavelmente, a persistência da visão imobilizada e preconceituosa do papel do idoso na sociedade provoca a sua exclusão, de maneira a acarretar o desenvolvimento de transtornos psicológicos. Outrossim, o desamparo familiar contribui para a lotação em asilos que, uma parte expressiva, não possuí infraestrutura adequada para corrigir as suas carências, além disso verifica-se que muitos estão em situação de miséria, onde são expostos a abusos físicos e emocionais.

Concluindo, portanto, cabe ao Governo Federal desenvolver o Plano Nacional de Valorização do Idoso, com o propósito de redirecionar as suas ações para as áreas de saúde e cuidado da pessoa idosa, mediante a ampliação da saúde pública e na elaboração de campanhas publicitárias nas redes sociais e nos espaços públicos para promover a conscientização coletiva em relação a importância de incluir e respeitar esse grupo de idosos e, por isso, incentivar as denúncias contra maus tratos. Para terminar, cabe ao Poder Legislativo gerar leis mais rigorosas às violações com o objetivo de tornar essa problemática um crime repugnante.