Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 18/04/2021

Conforme o Estatuto do Idoso, legislação que assegura os direitos dos idosos, abandonar uma pessoa com mais de 60 anos é considerado crime. Nesse viés, mesmo sendo um ato que pode levar à responsabilização criminal, o abandono de pessoas da terceira idade, ainda, é um problema no Brasil contemporâneo. Dessa maneira, é fundamental analisar a falta de consciência e o comprometimento do desenvolvimento humano como, respectivamente, a causa e o efeito dessa questão.

Em uma primeira abordagem, deve-se falar que, segundo a Constituição de 1988, os filhos têm o dever de ajudar e de amparar os pais na velhice, carência e enfermidade. Contudo, muitas pessoas acreditam que somente os pais possuem obrigação em relação aos seus filhos. Nesse cenário, apesar de ser um dever constitucional, esses indivíduos não prestam assistência material e emocional aos seus parentes da terceira idade, sobretudo, por não conhecerem suas responsabilidades obrigatórias relacionadas a esse contexto social. Nessa perspectiva, a Família vira uma “Instituição Zumbi” conceito, do sociólogo Zygmund Bauman, que representa uma entidade que não cumpre seu papel social, pois ela deixa de ser um núcleo de proteção e de acolhimento ao idoso, para ser a geradora do abandono.

Em uma segunda análise, deve-se dizer, ainda, que, de acordo com o filósofo Foucault, “o Homem é uma construção bio, psico e social”. Nesse sentido, essas três esferas devem estar em perfeita harmonia para o pleno desenvolvimento humano. Contudo, no Brasil, o abandono de idosos é um problema que abala essa harmonia. Isso porque as pessoas da terceira idade, além de estarem em um período de adaptação a grandes mudanças, como a aceitação que, normalmente, elas não possuem as mesmas condições físicas que durante sua fase adulta, sofrem, muitas vezes, com o abandono. Nesse contexto, esses indivíduos podem desenvolver quadros de transtornos psicológicos, como a depressão e a ansiedade, devido à falta de afetividade gerada pelo afastamento familiar. Diante desse fato, o abandono de idosos pode comprometer a esfera psicológica de Foucault e, consequentemente, o desenvolvimento humano da terceira idade.

Portanto, o abandono de idosos é um problema na sociedade contemporânea. Assim, é necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos informe a população sobre esse afastamento afetivo familiar. Essa ação deve ser realizada por meio de vídeos educacionais, os quais serão transmitidos nas redes sociais, informando os direitos e deveres da relação entre a família e a terceira idade, além das consequências desse abandono. Dessa forma, com os indivíduos mais conscientes, haverá a minimização dessa questão, a qual pode levar à responsabilização criminal, e, consequentemente, o desenvolvimento humano no país verde-amarelo não será afetado.