Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 22/04/2021
A concepção de que um idoso, por ser um indivíduo que viveu por mais tempo, é sábio, merece respeito e cuidados especiais, é algo que as crianças deveriam ter desde o berço. Entretanto, observando o cenário brasileiro com relação ao abandono dos mesmos, é notável que isso é apenas uma utopia no momento.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 71% dos municípios não possuem asilos, e enquanto há uma população de cerca de 20 milhões de idosos no país, há apenas 218 instituições públicas para idosos. Tais dados permitem a conclusão de que o governo está extremamente despreparado para o crescente aumento de expectativa de vida. E no caso de um filho querer deixar o pai num asilo, mas não houver um na cidade? Terá que colocá-lo em outra cidade, o que provavelmente acarretará em poucas visitas, o que pode levar a um abandono definitivo, e marcas inapagáveis na memória do idoso.
Isso pode ser facilmente comprovado através da pesquisa do IBGE, que concluiu que a depressão é uma das doenças mentais que mais atinge os idosos, e que a quantidade de vítimas de está aumentando gradativamente. O fato é que indivíduos com idade avançada são mais sensíveis e precisam de cuidados específicos, o que não aparenta estar sendo dado. Até mesmo no cenário financeiro, observa-se a precariedade do Brasil: 57% dos idosos não possuem reservas financeiras, e o atraso em receberem a aposentadoria é constantemente presente. Trazendo o caso do filho que colocou o pai num asilo numa cidade distante, e basicamente o abandonou lá, e se o idoso em questão não possuir reservas? Ele simplesmente passará o resto de sua vida trancado, sem poder se dar ao luxo de comprar qualquer coisa para si mesmo, e se sentindo abandonado. Com razão.
Observando o cenário apresentado, a conclusão de que são necessárias medidas urgentes é inevitável. Seriam elas: construção de mais asilos públicos, dando prioridade às cidades que não os tem, adição de pelo menos um psicólogo em cada instituição, visando dar suporte emocional aos mais velhos, e uma entrega de aposentadoria no momento certo. Apenas essas ações, entretanto, apenas farão com que o idoso sofra menos em seu abandono e sua velhice, é necessário, portanto, campanhas educacionais nas escolas, a fim de conscientizar as crianças e adolescentes de que devem cuidar de seus pais, sempre. Tudo isso, pode não salvar aquele idoso citado anteriormente, mas com certeza fará com que outros não sofram tanto quanto ele.