Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 19/04/2021
Com o desenvolvimento e difusão do capitalismo a partir do século XVIII, a produção econômica se tornou um fator importante para o fortalecimento desse sistema.Assim, os indivíduos que não fazem parte da parcela da população que gera riquezas à sociedade por meio do trabalho- os idosos- foram desvalorizados e abandonados pela família e inviabilizados pelas medidas governamentais.Dessa maneira, debater sobre o desamparo familiar e a falta de planejamento do Estado é importante para a discussão da negligência com os anciãos em questão na contemporaneidade.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que, com a lógica de desvalor do humano estabelecida pelo capital, a coisificação das pessoas e o estebelecimento de relacionamentos descartáveis fomentam o abondono e desamparo familiar aos seres mais velhos,os quais precisam de suporte emocional e financeiro de seus descendentes.Nesse sentido, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman,a sociedade contemporânea é caracterizada por relações socioafetivas frágeis frente à pessoas extremamentes individualistas, ou seja, o meio familiar,o qual reflete a superficialidade dos relacionamentos interpessoais, reproduz ações de despreocupação e exclusão de seus membros em envelhecimento.Por isso, diante do aumento da população idosa,os casos de abandono desses seres em abrigos públicos cresceram exponencialmente de acordo com dados da revista Istoé, os quais apontam um acréscimo de mais que quinze mil anciãos instalados em asilos de 2012 a 2017.Dessa maneira, o estabelecimento de famílias mais estruturadas socioafetivamente é imprescindível para a valorização dos idosos.
Ademais, é indispensável salientar que a falta de planejamento governamental para a construção de poupanças estatais,as quais garantam uma aposentadoria segura, reflete na instabilidade financeira de cidadãos em envelhecimento.Por esse ângulo,vale tomar como norte o pensamento de Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil,o qual afirma que a falta de uma renda estável na velhice pode agravar o descaso e abondono de idosos.Assim, percebe-se que sem condições financeiras suficientes para garantir uma boa qualidade de vida aos anciões,o número de seres mais velhos subordinados a situações precárias de alimentação e moradia tende a crescer.Dessa forma, observa-se que o abandono de idosos pelo Estado reflete na vida degradante e desumana desses indivíduos.
Portanto, o debate sobre esse tema é importante para o bem-estar dos mais velhos.Assim, o Ministério da Educação,como órgão ligado diretamente ao meio familiar,deve criar projetos de valorização e aproximação de pais e idosos com os mais novos para que as relações familiares sejam fortificadas.