Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 19/04/2021
Segundo o filósofo Aristóteles, “velhice não deveria ser entendida como doença, pois não é algo contrário à natureza”. Levando a citação para a realidade brasileira, ela passa a ser esquecida, pois, apesar do aumento percentual da população idosa do país nos últimos anos, essa é muitas vezes negligenciada. Isso se deve, sobretudo, a displicência do governo perante essa parte da população e a maneira como a mídia expõe a fase da vida como um “bicho de sete cabeças”.
Apesar de a população idosa ser uma das que mais cresce no país, o auxílio que a mesma recebe dos Órgãos Públicos é quase inexistente. Segundo o pesquisador do IBGE Fernando Albuquerque, “se atualmente 14% da população é considerada acima de 60 anos, daqui a 30 anos esse percentual será de 30%”, em contrapartida, a poupança para a velhice no Brasil é uma das menores das Américas. Sem o amparo necessário, muitos acabam por se instalar em abrigos públicos, que, segundo dados do mesmo instituto, atingiu a marca de quase 61 mil em 2017. Isso é uma situação deplorável, pois, apesar de passar boa parte da sua vida trabalhando em prol do crescimento do país, o mesmo lhe abandona em uma das fases que mais se precisa de cuidados e atenção.
A mídia, em sua procura pela eterna juventude, objetifica e mantém o pensamento que o envelhecimento é algo negativo, o que leva a população a ter uma certa rejeição a pessoas nessa fase. O autor americano George Gerbner em seu estudo recente, sobre o impacto da televisão em nossa cultura, afirma que atualmente, a imagem que a sociedade tem da velhice é uma construção do “marketing” comercial. Pesquisas realizadas principalmente nos EUA, demonstraram que a televisão traz uma imagem negativa dos idosos. Isso leva a uma estereotiparão que ocasiona em um distanciamento por parte tanto da família quanto do público o que pode levar ao abandono e maus tratos para essa parte da população, como é demonstrado pela pesquisa da Folha de São Paulo em que o número de registros de casos de negligência e violência contra idosos cresceu 16,4% no país em um ano, segundo dados do Disque 100, serviço do governo federal.
Em virtude dos fatos mencionados, tanto o governo quanto a população acabam por intensificar o abandono tanto físico quanto mental dos idosos. O Estado deveria providenciar melhores condições para essa parte da população, como planos de saúde gratuitos e de qualidade, moradias adaptadas, áreas de lazer, entre outros, visando uma melhor qualidade de vida. Além disso, a mídia deveria, por meio da renovação de programas e propagandas, mostrar a imagem do idoso de um jeito positivo, mostrando também as suas necessidades, com o intuito de diminuir esses mal esteriótipos, pois, assim como Aristóteles devemos ver a velhice não como uma doença, mas, como uma nova etapa da vida.