Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 24/05/2021
45 leis do poder – Robert Greene, Lei 13, “Ao pedir ajuda, apele para o egoísmo das pessoas, jamais para a sua misericórdia ou gratidão”. Contudo, observa-se, na hodiernidade, que as interações afetivas revela-se intangíveis e ao mesmo tempo desmoralizadas, a conexão entre o respeito e admiração vêm tomando formas diferentes e posições vazias no cotidiano. Nesse sentido, surge o desnivelamento de políticas públicas, bem como a indústria cultural como molde dessa problemática.
Deve-se pontuar, de início, a negligência do poder público acerca do abandono de idosos em questão na contemporaneidade, uma vez que a legislação obtêm fragilidades na prática, dado que os crimes de deserção da terceira idade têm a pena variada de seis a três anos de prisão. No entanto, o infrator cumpre, em média, um terço da sanção em regime fechado. De acordo com o Estatuto do Idoso, “É obrigação da família e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à cidadania, à liberdade, à dignidade, e à convivência familiar e comunitária”. Por analogia, nota-se que o Estado rompe com essa simetria, tendo em vista que o sistema legislativo tem sido violento ao omitir medidas eficazes para solucionar o problema. Questões como a falta de um órgão exclusivo para tratar do assunto com devida prevalência.
Outrossim, é necessário enfatizar a indústria cultural como relevante na contribuição do abandono da terceira idade, dado que o capitalismo nutre uma imagem de liberdade e desapego, focado em plataformas digitais e propondo entretenimento a todo custo, corroborando para menores atenções as ligações sentimentais. Segundo Zygmunt Bauman, “Na sociedade contemporânea, emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações". A partir desse ponto, nota-se que Bauman afirma com veracidade que nada foi feito para durar, inclusive as relações, visto que a tecnologia está promovendo transformações sociais e factuais, sendo assim, distanciando uma geração da outra e enfraquecendo a vivência convencional, os aprendizados e as permutas culturais.
Entende-se, portanto, que é imprescindível incrementar exemplares para o entendimento da gravidade em volta desse paradigma. Assim sendo, é responsabilidade do Ministério Público, por intermédio das prefeituras municipais, viabilizar verbas do orçamento público, para projetos que possuam a finalidade de despertar o discernimento da população em relação ao abandono. Além de efetuar campanhas de abrangência nacional, em conjunto com as redes sociais, com o objetivo de incentivar a efetivação de denúncias. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, implantar na grade didática do ensino médio, mecanismos de informações como: palestras e oficinas, a fim de conscientizar os seus impactos indivíduais e sociais no cenário da terceira idade.