Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 28/04/2021

No longa francês “Amour”, são retratados os últimos anos de vida de Anne, que sofre com deteriorações físicas e mentais causadas pelo avanço de sua idade. Na trama, a idosa conta com a dedicação e cuidado de seus familiares e amigos, além de ter uma condição financeira estável que garante que seus últimos dias de vida sejam confortáveis e dignos, apesar de sua condição frágil. Fora da ficção, entretanto, a realidade enfrentada por milhões de brasileiros diverge daquela apresentada pelo filme, uma vez que o descaso governamental e social propicia ações antiéticas e individualistas, possibilitando o abandono de idosos na nossa sociedade.

Primeiramente, vale pontuar que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, entre os anos de 2012 e 2017, a população idosa no país aumentou em cerca de 4,8 milhões. Entretanto, o aumento da expectativa de vida pode representar um fardo, devido a falta de planejamento econômico e social. Ademais, segundo a revista Isto È, 89% da população não cria poupanças para os anos de velhice, oque pode vir a provocar a dependência econômica no futuro. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Thomas Hobbes, o contrato social consiste no dever do Estado de velar pela segurança e estabilidade do povo, que abdica de sua liberdade natural. Portanto, ao viver em sociedade, o indivíduo se submete a um poder maior, e em troca deve ter seus direitos garantidos por toda a vida.

Dessarte, ao tolher o exercimento dos direitos da população idosa, as instituições estatais impingem-na às mazelas da sociedade, deixando-as à mercê de atitudes anéticas. Dessa forma, para Aristóteles, filósofo na Antiguidade Grega, a ética deve ser entendida como a busca do bem comum, já que o ser humano é capaz de perceber a relação de causa e efeito de suas ações e orientá-las para o bem. No entanto, ao observar a relação contemporânea da sociedade brasileira com o indivíduo envelhecido, relação caracterizada pelo abandono material e afetivo, contata-se um afastamento do ideal aristotélico e a prevalência de um individualismo exacerbado, que despreza o senso de coletividade.

Por conseguinte, é preciso que o estado tome medidas para diminuir o abandono de idosos. Para isso, é mister a criação de um instituto governamental, por meio do Governo Federal, chamado de Instituto do Idoso, presente em todos os estados brasileiros. A partir dele, serão promovidas campanhas que eduquem sobre a compreensão e a aceitação do processo de envelhecimento, através de escolas e centros comunitários, com o intuito de conscientização a população sobre as necessidades do idoso. Além disso, o instituto auxiliaria no planejamento econômico e familiar da população, com o propósito de garantir o bem-estar físico, mental e social de indivíduos maiores de 60 anos. Somente assim o contrato social será efetivo, e a nossa sociedade se aproximará do ideal aristotélico.