Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 30/04/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê que é dever do Estado e da família amparar as pessoas idosas, além de assegurar sua participação na comunidade e defender sua dignidade e bem-estar. No entanto, o que se observa na atualidade é que o índice de casos de abandono ao idoso vêm crescendo cada vez mais, resultado tanto do descaso estatal, quanto do desamparo familiar. Nesse sentido, torna-se fundamental a discussão de determinados fatores diante desse quadro alarmante.

Primeiramente, é possível destacar o descaso estatal como um dificultador de determinado problema. Com isso, sob uma perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os cidadãos de uma sociedade democrática devem possuir a mesma importância. Contudo, apesar do expressivo aumento da taxa de envelhecimento da população brasileira, pesquisa realizada pelo G1 mostra que o Governo não dispõe de recursos financeiros que garantam uma boa aposentadoria e um planejamento urbano apropriado que forneça maior mobilidade e áreas de lazer, demonstrando enorme negligência e desprezo governamental perante a este relevante grupo social, o qual é tratado com desimportância e é privado de usufruir de seus direitos, contrariando, portanto, a teoria de Aquino.

Ademais, há a influência da ausência de uma boa estrutura familiar, a qual agrava significativamente a valorização dos 17 milhões de idosos brasileiros, segundo o IBGE. Nesse sentido, consoante aos pensamentos de Zygmunt Bauman, os relacionamentos sociais são fluídos e efêmeros na Idade Moderna, o que torna as relações cada vez mais superficiais. Dessa maneira, é notório em como a depreciação dos idosos está relacionada com a falta de auxílio familiar, já que grande parte dessa parcela da população é deixada em asilos e até mesmo são extorquidos pelos próprios familiares, sendo rejeitados e desrespeitados cotidianamente, o que ratifica a teoria de Bauman sobre a insensibilidade humana.

Diante disso, é essencial o combate ao abandono do idoso em questão na contemporaneidade. Para tanto, é dever do Ministério da Cidadania, com o apoio do Estatuto do Idoso, a criação de campanhas em redes sociais e televisão que evidenciem a importância do papel da família no acolhimento aos idosos. Além disso, também é indispensável informar sobre a criminalização do abandono parental e a necessidade de denúncias, com a finalidade de conscientizar a população brasileira sobre este preocupante problema. Com isso, somente assim, será possível o pleno cumprimento da Constituição Cidadã e a resolução do tema.