Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 03/05/2021

Em Esparta, cidade-estado da Grécia Antiga, os indivíduos mais velhos dispunham de grande prestígio no meio social, uma vez que os ditos anciões tinham um amplo domínio sobre as decisões políticas da época, além de serem amplamente respeitados pelos demais indivíduos. No entanto, percebe-se que tal conjuntura se distancia - significativamente - do que é observado na contemporaneidade, visto que a baixa atenção dada aos mais velhos, por grande parte das pessoas, culmina no crescente abandono de idosos na sociedade. Logo, é viável entender como a fragilidade familiar, atrelada à desigualdade social, pode contribuir com tal problemática.

De início, cabe destacar a existência de um frágil núcleo familiar como um preponderante fator para a ocorrência do abandono de idosos no país. De acordo com dados disponibilizados pelo IBGE, nos últimos 20 anos, o número de pessoas da terceira idade praticamente dobrou no Brasil. Entretanto, a adequação da sociedade a essa nova dinâmica familiar não acompanhou tal fato, visto que muitos indivíduos, por não possuirem uma organização parental adequada, ou até mesmo disponibilidade para cuidar dos mais velhos, passam a abandoná-los em asilos e casas de repouso. Constata-se isso com base nos índices apontados pelo IPEA, os quais mostram que mais de 80 mil idosos vivem em asilos no Brasil, evidenciando a dimensão dessa problemática. Dessa forma, o sentimento de desamparo passa a dominar a vida de muitos indivíduos da terceira idade no meio social.

Em outra perspectiva, a clara disparidade socioeconômica no país também pode ser relacionada ao impasse do abandono de idosos na contemporaneidade. Justifica-se isso pelo fato de que, em decorrência das dificuldades financeiras enfrentadas por grande parte das famílias brasileiras, a falta de uma adequada renda entra em contraste com a crescente necessidade de amparo aos mais velhos, os quais - em sua maioria - encontram-se desempregados ou sem uma aposentadoria. Tal panorama é criticado pelo escritor George Orwell, no seu livro “A Revolução dos Bichos” , pois ao citar a frase “somos todos iguais, mas alguns são mais iguais que outros”, demonstra uma crítica ao privilégio que alguns indivíduos possuem, em detrimento dos demais, caracterizando a desigualdade social.

Portanto, é notória a relação entre problemas sociais e econômicos com o abandono dos idosos no país. Assim, é indubitável a criação de um Programa de Assistência ao Idoso, por intermédio do Ministério da Cidadania, órgão responsável pelo desenvolvimento social. Tal ação deverá ser feita através de um maior amparo aos idosos, com a contratação de profissionais que orientem os familiares de tais pessoas, além de um auxílio financeiro às famílias mais carentes. Com isso, o abandono dos idosos será minimizado, e o respeito aos mais velhos se aproximará da antiga realidade de Esparta.