Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 06/05/2021
No livro “O pequeno príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry, é retratada a história de um aviador que, certo dia, tem problemas em seu avião e cai no Deserto do Saara. Após o ocorrido, ele encontra um garoto que critica seu modo “adulto” de pensar, fazendo-o refletir sobre como por vezes a felicidade não esta contida em coisas tateáveis, mas sim, arraigada às pessoas que você ama. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Exupéry pode ser relacionada ao crescente número de abandono de idosos. Em tal problemática, não só a ausência de empatia familiar, mas também a não convivência de filhos com os pais corroboram para tal elevação.
Em primeira análise, é importante destacar que com a evolução tecnológica, a maioria das relações dentro de uma família tendem a se tornar cada vez mais frágeis, eventualmente, causando certa antipatia entre pais e filhos. Segundo Zygmunt Bauman em “Modernidade líquida”, este problema ocorre por conta da volatilidade das relações contemporâneas. De acordo com ele, este problema é causado principalmente por dois fatores, sendo o primeiro, o avanço das tecnologias e criação de mecanismos como as redes sociais (onde uma relação termina com um clique), e segundo, pelo mal uso desta por parte das pessoas, que se acostumam a quebrar laços afetivos de forma espontânea. Em virtude disso, as pessoas gradativamente tendem a ter seus laços afetivos com familiares enfraquecidos.
Ademais, pais e filhos nunca estiveram tão separados quanto no século XXI, entre eles, existe algo semelhante ao muro levantado na cidade de Berlim, na guerra fria, que separava duas formas de pensar distintas(capitalismo e comunismo). Porém, diferentemente desta barreira física, tal separação ocorre por conta de uma barreira psicológica, geralmente associada a coisas como, foco excesivo no trabalho e amizades que se tornam mais importantes que a família, pois, este e aquele lhes toma tempo e os distancia de seus pais. Fazendo com que tal problemática seja convertida em distanciamento e abandono dos filhos para com os pais.
Portanto, é preciso que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Educação juntamente a escolas, por meio de verbas governamentais, crie campanhas nas escolas, se utilizando de cartazes e divulgação em mídias sociais, que expliquem aos alunos a necessidade de cuidar de seus pais e avós no momento em que se tornam idosos e também mostrem a importância de ter empatia para com os mesmos, a fim de que tais antipatia e falta convivência sejam, no pior dos casos, amenizadas. Só assim será possível criar uma sociedade que, semelhantemente ao pequeno príncipe, compreenda que o fútil não é essencial e que muitas vezes a família é seu maior bem.