Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 06/07/2021

Segundo o Estatuto do Idoso “o abandono de incapaz é crime”, estando a pessoa que cometeu o delito sujeita à prisão. Contudo, mesmo com o aparo legal do Estado se vê como sendo consequência do aumento da expectativa de vida — em desconformidade com a preparação mental e financeira da população mais jovem —, a ampliação do número de casos de omissão familiar no que tange o cuidado com os idosos, transformando-a em um dos grandes obstáculos da sociedade contemporânea, de tal forma que se faz necessária a análise do alto custo, o qual é associado à assistência aos mais velhos, tal como do grande esforço que é requerido para isso, como os principais motivadores da negligência para com esses.

Nesse contexto, é com o avanço da idade e com o envelhecimento do corpo que surgem as doenças, as responsáveis pela alta despesa médica dos indivíduos na terceira idade e, como efeito, pelo descaso familiar por eles. Sob essa lógica, de acordo com a reportagem do Conexão Repórter, “O inverno dos ex-guerreiros”, o repúdio dos filhos pelos pais começa a partir do momento que a presença destes interfere no equilíbrio familiar daqueles. Originando, desse maneira, um cenário de alienação parental em um país que a cada dia que passa tem mais idosos sob a jurisprudência de seus filhos ou netos.

Ademais, enquanto o alto custo de assistência aos mais velhos é o motivo dos maus-tratos, o trabalho necessário para mantê-los em casa é a razão do abandono quase que direto, uma vez que a contratação de uma cuidadora particular causa também um desequilíbrio financeiro, sendo, por isso, mais fácil colocá-los em um asilo, segundo entrevista realizada pelo do Jornal da USP com os habitantes de unidades asilares. À vista disso, é na ausência de fiscalização que se tem o histórico de abusos nos abrigos, responsável pelo agravamento das doenças de seus habitantes, fazendo-se, desse modo, vigente uma sucessão de negligências, tanto por parte dos familiares que deram início, quanto do Estado que deu continuidade, se encerrando apenas com a morte do idoso.

Logo, retomando a reportagem “o Inverno dos ex-guerreiros”, que ilustra a falta de preparação mental e financeira da sociedade brasileira para o acolhimento dos idosos, é preciso que o governo dê mais atenção aos incapacitados do país. Destarte, sob o papel do Ministério da Economia ele deve fornecer apoio financeiro aos idosos, por meio da criação de um auxilio velhice, semelhante à aposentadoria, mas direcionada aos tratamentos médicos necessário, a fim de findar, assim, o abandono por razões financeiras. Além disso, o Ministério da saúde deve inserir nas Universidades de Enfermagem estágios obrigatórios que sejam capazes de auxiliar os parentes no cuidado em casa ou de inibir os abusos nos asilos, visando, portanto, o fim da omissão familiar e governamental para com mais velhos no país.