Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 31/05/2021

Na Roma Antiga, os idosos eram aclamados pela população, uma vez que eram considerados sábios pelas vivências ao longo da vida. Nesse cenário, o Conselho dos Anciãos era o principal órgão político romano e era composto apenas por homens idosos. No contexto contemporâneo, pouco se discute sobre o abandono familiar e governamental de idosos, já que esses não são mais protagonistas nas pautas populares como no Império Romano. Desse modo, faz-se imperioso o debate acerca das causas políticas e sociais para o agravamento da problemática.

Em primeira análise, é necessário discutir a ausência de medidas governamentais no cuidado de qualidade de idosos. Apesar da existência de casas de repouso públicas, o acesso a melhores cuidados é elitizado, dado que a infraestrutura e o atendimento aos idosos em asilos gratuitos são precários, como afirma o Ministério do Desenvolvimento Social. Esse fato pode ser explicado pela falta de planejamento efetivo do governo, o que se caracteriza como abandono governamental dos idosos. Dessa forma, há uma violação do Contrato Social de Locke, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir direitos indispensáveis aos idosos, o que é evidente no país.

Em segunda análise, deve-se discutir sobre o papel da família no abandono de idosos. No filme “Eu me importo”, transmitido pela Netflix, é retratada a corrupção de uma cuidadora da terceira idade. No drama, a mulher usa seu cargo para aproveitar financeiramente de idosos fragilizados pelo abandono familiar. Não distante da ficção, o abandono afetivo resultada em diversas consequências negativas. Nesse contexto, o desamparo pela família é a principal causa da depressão na velhice. Além disso, a solidão promovida pela negligência familiar causa danos a saúde física e psicológica. Assim, é inadmissível que esse cenário perdure.

Portanto, torna-se essencial a participação do Estado no combate ao abandono senil. Para tanto, é dever do Ministério do Desenvolvimento Social promover melhorias nas estruturas públicas de cuidado de idosos. Essa ação deverá ser feita de acordo com o Estatuto do Idoso, de maneira que os profissionais da saúde tenham acesso a cursos de especialização gratuitos sobre a saúde mental na velhice. Ademais, a questão dos idosos deve ser divulgada pela mídia para que haja uma conscientização social sobre os resultados do abandono familiar. Logo, a sociedade estará preparada para atender as necessidades dos idosos, onde o Estado cumpre seu papel no Contrato Social de John Locke.