Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 09/06/2021
O filme, indicado ao Oscar, “meu pai” traz a história de um senhor que recusa todos os cuidados ofertados por sua filha. Longe do viés cinematográfico e adentrando-se à contemporaneidade, encontra-se, em contrapartida ao filme, a negligência e o abandono aos idosos como fator usual no Brasil. Faz-se necessário então, observar as causas desses abandonos de idosos e como eles influenciam diretamente a vida desses.
Pontua-se, em uma análise inicial, que uma das principais justificativas para o desemparo sofrido pelos mais velho é a falta de apatia social reverenciada aos idosos brasileiros, uma vez que (assim como pressupôs Simone de Beauvoir em seu livro " A velhice") os anciões brasileiros não são enxergados pela sua maturidade, mas sim como um “peso social” para a sua família. Como efeito de tal realidade severa, observa-se o crescimento do abandono no país e ,consequentemente, o surgimento de abrigos ilegais. Nesse sentido, verifica-se, segundo dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o incremento de 33% no número de abrigos clandestinos no Brasil de 2015 a 2017.
Observa-se, em paralelo a isso, o surgimento de consequências degradantes para vida desses idosos submetidos ao abandono familiar. Isso porque, além do abandono afetivo( que causa inúmeras sequelas emocionais como depressão e suicídio), esses anciões tem seus “Direitos Naturais”-concepação ilustrada por John Locke para enunciar os direitos básicos que devem assegurar a um indivíduo- negados pela família e pelo Estado. Consequentemente, atenta-se para o descumprimento do terceiro artigo do Estatuto do Idoso o qual diz que: " é dever do Estado e da família garantir aos seus idosos o direito à vida,saúde,alimentação e a convivência familiar". Dessa maneira, constata-se a necessidade do Estado e das famílias desses idosos abandonados de trabalharem em conjunto buscando a efetivação desse Estatuto brasileiro.
Urge, portanto, que para redução das sequelas negativas geradas pelo abandono dos idosos na contemporaneidade, o Governo Federal, com o auxílio do Ministério da Justiça, por intermédio da participação das famílias envolvidas em casos de abandono do seus anciãos e do Senado Federal, analise detalhadamente a causa de cada abandono e puna judicialmente(por meio de suspensão de herança ou multas financeiras que serão repassadas ao idoso abandonado) aqueles filhos que possuem condições financeiras estáveis e mesmo assim abandonam os pais. Assim como, busque conciliação com aqueles filhos que possuem algum abandono afetivo gerado durante a vida com os idosos abandonados, mediante o auxílio de piscólogos e assistentes sociais, a fim de que os anciões abandonados sintam-se acolhidos por suas famílias, como era o protagonista do filme “Meu pai”.