Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 07/06/2021
No filme “Meu pai” o personagem Anthony, vívido pelo ator Anthony Hopkins, é um senhor de 81 anos que sofre de Alzheimer, doença que destrói a memória, e sua filha, interpretada por Olivia Colman decide se mudar para Paris, porém, vendo o pai como um empecilho, decide colocá-lo em uma casa de repouso. Fora da ficção, a história se repete diversas vezes, idosos são abandonados em ruas, casas de repousos e asilos e essa preocupante atitude se dá por diversos fatos, como, por exemplo, as dificuldades financeiras das famílias e a falta de afeição entre pais e filhos.
Em primeiro plano, observa-se o grande aumento na expectativa de vida dos brasileiros e seus principais fatores são: o crescimento econômico, acesso a água potável e a evolução da ciência e medicina, como constatado em pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Esse aumento elevou o número de idosos em nosso país, e escancarou, o abandono sênior, onde muitos filhos se recusam a cuidar de seus pais. Essa falta de comprometimento está associada muitas vezes pelas dificuldades financeiras que afetam muitas famílias brasileiras, causada pela desigualdade social vivida em nosso país, onde a maior parte da população não tem condição básica de viver bem. Sendo assim, muitos filhos preferem abandonar seus pais na rua, por não conseguirem arcar com certas despesas, os expondo a diversas situações desumanas, tais como, frio, fome e solidão.
Ademais, constata-se um aspecto cultural enraizado em muitas gerações, o abandono parental é comum na vida de muitas crianças brasileiras que não possuem contato com seus pais, evidenciando problemas futuros. Relacionado a isso, já dizia Machado de Assim “O menino é o pai do homem” afirmando que um dia quem foi abandonado, poderá abandonar também, podendo refletir em relações afetivas familiares e sociais. Com isso, nota-se uma naturalidade no abandono, pois não há laços afetivos entre pais e filhos, que, sem nenhum remorso, abandonam seus pais nas ruas e nos asilos, podendo causar sérios problemas, como a depressão, motivado pelo abandono e rejeição sofrida.
Portanto, para que diminuía o número de idosos abandonados, cabe ao Ministério da Cidadania a criação de programas voltados especialmente para o sênior, tais como, auxílio moradia para aqueles que são abandonado, auxilio para seus familiares que enfrentam dificuldades financeiras e tratamentos psicológicos. Esses tratamentos psicológicos devem englobar não apenas esse indivíduo, como também, sua família, possibilitando assim, o reparo emocional dessas pessoas. Como consequência disso, melhora das relações familiares como um todo, entre pais, filhos e netos, proporcionando a diminuição do abandono parental e viabilizando assim, uma vida digna para todos.