Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 22/06/2021

No filme “O Estagiário”, o ator Robert de Niro vive um aposentado que, por se sentir sozinho e desocupado, se candidata a uma vaga de estágio em uma empresa. Assim como na ficção, na vida real muitos idosos se sentem solitários e um estorvo para seus familiares, que muitas vezes os abandonam, sem se importar com as dificuldades da velhice. Nesse sentido, percebe-se que a sociedade contemporânea perdeu alguns princípios como a empatia que resulta em maior abandono afetivo.

Primeiramente, quando se trata sobre abandono entre os seres humanos, logo se pensa na falta de empatia. Segundo o filósofo Roman Krznaric, esse conceito está relacionado não só ao fato de se colocar no lugar do outro, mas entender suas necessidades e angústias. No entanto, com o aumento da expectativa de vida no Brasil, também cresceu o número de idosos que sofrem agressões e muitos que são enviados para asilos, visto que seus familiares não fazem o esforço necessário para compreender o idoso e seus problemas. Assim, cada dia mais a população se aproxima do ápice do individualismo.

Além disso, alguns teóricos afirmam que a contemporaneidade é permeada por relaçõpes efêmeras que dificultam a afetividade. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, atualmente vive-se na sociedade líquida, onde os relacionamentos são menos duradouros e as pessoas tendem a ter maiores dificuldades em estabelecer laços afetivos mais fortes. Com isso, pode-se relacionar o abandono afetivo sofrido por milhares de idosos como o reflexo desse período, pois se comparar com as sociedade ocidental antiga, os idosos, que eram chamados de anciãos, eram pessoas muito respeitadas e bem vistas pela comunidade. Dessa forma, é necessário que as pessoas tenham maior acolhimento com seus idosos, pois é uma fase da vida de muita dependência, principalmente emocional.

Portanto, haja vista o abandono sofrido pelos idosos brasileiros, assim como suas principais causas, é primordial que se conscientize a população acerca dos cuidados e direitos desse grupo etário. Para isso, as escolas de educação básica devem inserir em seu currículo, conteúdos transversais que tratem sobre o assunto, bem como a fragilidade nessa idade, para que assim essas crianças e adolescentes cresçam com a mentalidade de que precisam cuidar de seus idosos, pois um dia eles também serão.  Além disso, o governo federal deve fazer uma campanha por meio da televisão e rádio, em que apresente o Estatuto do Idoso, a fim de que todos façam sua parte na garatia desses direitos, assim como  no combate aos maus tratos a essa população.