Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 23/06/2021
Sabe-se que após o século XVIII, concomitante as Revoluções Industriais e aos avanços tecnológicos, houve uma melhoria na qualidade de vida e na saúde da população mundial, que resultou em um alongamento da expectativa de vida dos cidadãos e, consequentemente, em um envelhecimento proporcional. Entretanto, mesmo com um progreço no bem-estar social, no Brasil, não houve adaptações expressivas e pensadas para acolher adequadamente esse novo grupo que iria crescer significativamente, ou seja, os idosos, o que resultou em questões como o abandono. Destarte, não só a indiligência do Estado, mas como o mal planejamento da população para o envelhecimento, são causas
Cabe resaltar, a priori, que segundo o Estatuto do Idoso, criado em 2003, é garantido o bem-estar à todo o idoso mediante políticas públicas que garantem essa ideia. Ademais, de acordo com Aristóteles, em seu livro ‘‘Ética a Nicômaco’’, a política é intrinseca à todos os indivíduos, cujo objetivo final é a felicidade, fato esse que, de fato, não é garantido dentro da perspectiva brasileira. Isso porque, quando se analisa a realidade de muitos idosos no país, vê-se que o desamparo do governo em efetivar as leis na vida desse sujeito é inexpressiva. A falta de assistência médica pública, por exemplo, é um fato que assombra muitos idosos, e é uma questão que elucida o abandono dos mais velhos pelo Estado.
Por outro lado, deve-se pontuar que, além da indiligência do governo, o mal planejamento por parte da população também é uma questão que corrobora o assunto. Isso porque, muitos jovens, quando iniciam sua jornada de trabalho, não pensam diretamente na aposentadoria, nem em guardar dinheiro para a velhice. Em muitas ocasiões, há muita preocupação em questões do presente, como pagar as contas ou adquirir algum imôvel, e não em fatos relacionados ao futuro. Assim, quando chega a terceira idade, diante do mal planejamento, não há aparato nenhum que dê o mínimo de assistência e renda suficiente ao indivíduo, o que resulta em um abandono por parte dos filhos e parentes diante das despesas que esse idoso gera. Nesse viés, tal fato assemelha-se a obra ‘‘O Grande Passeio’’ de Clarice Lispector, em que é retratado o drama de Margarida, uma senhora abandonada pela família, que vive as margens de si mesma e do mundo.
Com isso, vê-se que o abandono de idosos é um problema sério, cujas medidas devem ser tomadas imediatamente. Portanto, cabe ao Governo, através de verbas, construir novos lares para idosos, de modo dar mais conforto aos mais velhos abandonados. Ademais, cabe ao Judiciários combater a impunidade contra o abandono através da disponibilização mais facilitada de denúncias e comprovações desse crime dentro do país. Feito isso, poder-se-á ter um Brasil em que o Estatuto do Idoso é plenamente cumprido.